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Archive for the ‘SOCIEDADE’ Category

Idéias para o Natal

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I

 

 

 

Mais coisas para o Natal – fotos passo-a-passo

Árvore de bombons:árvore de chocolate

Guirlanda montada a partir de rolos de papel higiênico e                                                                          Árvore feita com cone de tricot e feltro:arvore de natal com carretel e fitas de feltro guirlanda com rolinhos de pap hig

Enfeites para cadeiras:

mesa de natal

fonte: crie e faça você mesmo

Alimentos que prolongam a vida

A fórmula da juventude pode ser servida à mesa. Com benefícios comprovados, estes poderosos nutrientes vão ajudá-la a melhorar a saúde e redobrar a disposição e o bem-estar. Bom apetite!

1. TOMATE FORTALECE A MEMÓRIA

Já se sabe que ele é rico em licopeno, antioxidante que previne o câncer e impede a formação do mau colesterol. Mas um estudo recente, da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, comprovou que o tomate também é fonte de ácido ferúlico, que preserva os neurônios da degeneração provocada pelo stress oxidativo, protegendo contra os males de Alzheimer, de Parkinson e a demência senil. “Duas unidades por dia são suficientes para retardar o aparecimento dessas doenças em quem apresenta predisposição genética a elas”, diz o endocrinologista Wilmar Accursio, presidente da Sociedade Brasileira de Antienvelhecimento. Como o fruto é um dos alimentos que mais retêm agrotóxicos em sua casca, prefira os orgânicos.

 

2. ALHO AUMENTA A IMUNIDADE

Rico em componentes que ativam o sistema imunológico e combatem vírus, bactérias e fungos que causam infecções, o alho pode agir como coadjuvante no tratamento de resfriados, gripes e aftas, por exemplo. “Além disso, graças aos compostos fitoquímicos (alicina e ajoeno), o alimento ajuda a baixar os níveis de açúcar no sangue e tem ação antioxidante importante no controle do câncer”, afirma o endocrinologista Filippo Pedrinola, de São Paulo. Seus compostos ainda inibem a produção do mau colesterol e impedem a arteriosclerose – o espessamento da parede das artérias causado pelo depósito de gorduras. Para colher os benefícios, o médico sugere a ingestão diária de 600 a 900 miligramas de alho cru amassado (um dente grande ou dois pequenos).

3. FRUTAS VERMELHAS PROTEGEM CONTRA O CANCÊR

Amora, framboesa e morango contêm ácido elágico, que evita o envelhecimento precoce das células e a formação de tumores, segundo pesquisa da Universidade de Brasília publicada em 2006. Além disso, essas frutas têm flavonóides, com propriedades antiinflamatórias, antialérgicas e anticancerígenas. Nesse grupo, Jocelem Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais, destaca o mirtilo, que ajuda a reverter o declínio das funções cerebrais e previne cataratas e glaucoma. A nutricionista Vanderlí Marchiori, de São Paulo, sugere o consumo diário de duas taças com um mix de frutas vermelhas (de preferência, orgânicas), um copo de suco (vale usar frutas congeladas) ou duas xícaras de chá feito com as folhas.

4. CASTANHA-DO-PARÁ RETARDA O ENVELHECIMENTO

Ela é fonte de vitamina E e selênio, que colaboram para frear a produção de radicais livres, desacelerar o envelhecimento e reduzir o risco de doenças do coração. O mineral, ingerido em doses recomendadas (entre 55 e 70 gramas por dia), evita a propagação do câncer, atua no equilíbrio do hormônio da glândula tireóide e fortalece a imunidade. Um estudo conduzido por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e professores da Universidade Federal do Acre comprovou a eficácia da castanha e de alimentos enriquecidos com farinha de castanha-do-pará na recuperação de crianças desnutridas na Amazônia. “Uma unidade por dia é capaz de suprir as necessidades diárias de selênio”, diz Vanderlí Marchiori.

5. MAÇA ACALMA O ORGANISMO

O que não faltam são razões para consumir a fruta, de preferência com casca e tudo. Uma unidade contém 85% de água em sua composição e 5 gramas de fibras solúveis e insolúveis, o que significa entre 15 e 20% da dose diária indicada para que o organismo funcione bem. Mas o poder maior da fruta está na quercitina, fitonutriente que reduz os riscos de desenvolver doenças cerebrovasculares e câncer no estômago, fígado e pulmão, principalmente. Cientistas do Núcleo de Pesquisa em Alimentos Funcionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul descobriram ainda que as pessoas que comem pelo menos cinco maçãs por semana respiram e dormem melhor e apresentam menos probabilidade de ter problemas na garganta.

6. LINHAÇA CONTROLA A OSCILAÇÃO HORMONAL

O alimento é extremamente rico em ácidos graxos ômega 3, baixa o colesterol ruim e a taxa de triglicérides. Estudos recentes atribuem à linhaça propriedades que ajudam a controlar os hormônios. Ela amenizaria os efeitos da TPM e os fogachos da menopausa. “Além disso, a semente é um alimento biogênico, ou seja, é capaz de guardar informações genéticas para a formação de novos seres e, portanto, também funciona como um revitalizante poderoso das funções físicas e mentais”, diz a química Conceição Trucom, autora do livro A Importância da Linhaça na Saúde (editora Alaúde). Ela recomenda ingerir uma colher de sopa da semente por dia, polvilhada sobre saladas ou iogurtes ou misturada a pães e bolos.

 

 

fonte: texto Marcia Di Domenico, com fotos de Carlos Cubi

Revista Claudia – 06/2007

Anti-inflamatórios naturais

Os anti-inflamatórios naturais

por Patrícia Affonso
Máxima – 04/2013

  • Toda inflamação é, na verdade, um mecanismo de defesa do organismo contra uma agressão. “A intenção é identificar os agentes responsáveis pelo ataque e neutralizá-los rapidamente”, explica a nutricionista funcional Roseli Rossi, da clínica paulista Equilíbrio Nutricional. O problema pode vir acompanhado de dor, febre, vermelhidão, desconforto e inchaço.

Com orientação médica adequada, o corpo se restabelece em poucos dias, mas nem sempre é assim… “Muitas pessoas usam remédios anti-inflamatóriossem receita e de forma continuada. Em excesso, eles desencadeiam úlcera, gastrite, problemas cardiovasculares e hipertensão”, diz o nutrólogo Hélio Osmo, da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (Abiad). 

A inflamação tratada de maneira errada contribui para o surgimento de doenças graves, que vão de artrite reumatoide e câncer a diabetes. O ideal é que o organismo tenhaimunidade suficiente para debelar o processo inflamatório. Alguns alimentos são capazes de dar uma força e tanto para isso – confira!

IMUNIDADE EM ALTA
Alimento poderoso: SHITAKE
Por que funciona:
 os japoneses já aproveitam os benefícios dessa planta há muito tempo. “O shiitake é um cogumelo rico em proteínas e pobre em calorias. E o mais interessante é que possui alto teor de lentinana, nutriente que estimula a produção de glóbulos brancos, responsáveis pela defesa do organismo a inflamações”, esclarece a nutricionista Andrea Santa Rosa Garcia, membro do Centro Brasileiro de Nutrição Funcional.
Dica esperta: nada de descartar os talos do shiitake na hora do preparo. “É onde se concentram as potentes fibras betaglucanas. Elas fazem uma verdadeira faxina no organismo, eliminando as toxinas que favorecem o surgimento de doenças”, garante Andrea. Estudos da Universidade de Illinois, dos, EUA, mostram que as betaglucanas são capazes de prevenir doenças cardiovasculares.
Dose ideal: 1 pires (chá) por dia.

CORAÇÃO PROTEGIDO
Alimento poderoso: AZEITE DE OLIVA EXTRAVIRGEM
Por que funciona:
 esse óleo é um dos protagonistas da dieta mediterrânea, considerada uma das mais saudáveis do mundo. “Por ser fonte de gorduras monoinsaturadas, as chamadas gorduras do bem, o azeite reduz o colesterol LDL (ruim) e evita a inflamação das artérias, que podem causar uma série de complicações no aparelho cardiovascular”, afirma a especialista Roseli Rossi. Uma recente pesquisa publicada no jornal científico internacional Nature apontou que um composto presente no azeite de oliva, o oleocanthal, também inibe a atividade de enzimas ligadas aos processos inflamatórios.
Dica esperta: use sempre o óleo frio para incrementar os pratos prontos. Quando passa por aquecimento, sua estrutura é modificada e ele pode perder boa parte das propriedades funcionais.
Dose ideal: de 1 a 3 colheres (sopa) por dia.

SISTEMA RESPIRATÓRIO LIVRE
Alimento poderoso: GENGIBRE
Por que funciona:
 a raiz é rica em ativos, como felandreno, zingibereno e zingerona, que agem principalmente no combate a inflamações das vias aéreas superiores (bronquite, sinusite e asma), garantindo descongestionamento. “É um remédio natural excelente para quem está incomodado com o acúmulo de catarro ou pigarro”, diz Roseli. Há também a presença do mineral selênio, que reforça a ação anti-inflamatória, e do ativo gingerol, que funciona como analgésico, minimizando o dedesconforto causado por esses males.
Dica esperta: “A raiz fica muito gostosa se acrescentada a saladas, vegetais cozidos. Se preferir, rale um pedaço, coloque na água e tome ao longo do dia. Ou, ainda, faça um chá, mas lembre-se que o gengibre deve ser fervido durante o preparo”, ensina Roseli.
Dose ideal: 1 colher (sopa) do gengibre ralado ou um pedaço pequeno por dia.

ARTICULAÇÕES PERFEITAS
Alimento poderoso: AÇAFRÃO
Por que funciona: 
pesquisa publicada no periódico Journal of Biological Chemistry, dos EUA, afirma que a curcumina, pigmento responsável pela cor do açafrão, elimina os mecanismos biológicos que desencadeiam as inflamações nos tendões e causam a famosa (e dolorosa) tendinite. O potencial anti-inflamatório e desintoxicante do condimento também é eficaz no combate a dores nas articulações provocadas por doenças como artrite e artrose.
Dica esperta: experimente utilizá-lo no preparo de arroz, torta e molho de salada. Mas cuidado, porque o sabor é forte! Portanto, não exagere – basta uma pitadinha.
Dose ideal: 1/2 colher (café) por dia.

INSTESTINO SUPERSAUDÁVEL
Alimento poderoso: BATATA-DOCE
Por que funciona: 
o tubérculo possui índice glicêmico baixo, contribuindo no combate a inflamações. “Os alimentos com carga glicêmica alta tornam o pH do organismo mais ácido e convidativo à proliferação de fungos e bactérias nocivos”, esclarece Roseli. Rica em fibras, a batata-doce aumenta a presença de micro-organismos benéficos no intestino e combate os maléficos, prevenindo a síndrome do cólon irritável e a colite ulcerosa. Se o quadro inflamatório já estiver instalado, nutrientes como o betacaroteno, o manganês e as vitaminas B6 e C resolvem a questão, já que têm função antioxidante e imunomoduladora.
Dica esperta: combine a batata com coco, mel, noz-moscada ou canela para preparar doces. Use-a também em salgados – sopas, purês.
Dose ideal: 2 fatias médias por dia.

Pelos Direitos dos Animais?

Após o resgate de Beagles usados em testes de Laboratório, vale reler o texto do PETA sobre

                                                                                                      

                                                                                              Direito dos Animais:

animais

Quase todos nós crescemos comendo carne, vestindo roupas de couro, e indo para circos e zoológicos. Muitos de nós compramos nossos amados “pets” em lojas de animais que mantinham belos pássaros em gaiolas. Usávamos lã e seda, comemos hambúrgueres do McDonald, e pescados. Nós nunca consideramos o impacto dessas ações sobre os animais envolvidos. Por alguma razão, você está agora fazendo a pergunta: Por que os animais devem ter direitos?

Em seu livro Libertação Animal , Peter Singer afirma que o princípio básico da igualdade não requer igual ou idêntico tratamento , que exige igual consideração . Esta é uma distinção importante quando se fala sobre os direitos dos animais. As pessoas sempre perguntam se os animais devem ter direitos e, muito simplesmente, a resposta é “sim!” Animais certamente merecem viver suas vidas livres do sofrimento e exploração. Jeremy Bentham, o fundador da escola utilitária reforma da filosofia moral, afirmou que ao decidir sobre os direitos de um ser, “A questão não é ‘Eles podem raciocinar? nem ‘eles podem falar? ” mas ‘Eles podem sofrer? “ Nessa passagem, os pontos de Bentham à capacidade de sofrimento como característica vital que dá a um ser o direito a igual consideração. A capacidade de sofrimento não é apenas mais uma característica como a capacidade para a linguagem ou matemática superior. Todos os animais têm a capacidade de sofrer da mesma maneira e com a mesma intensidade que os humanos. Eles sentem dor, prazer, medo, frustração, solidão e amor maternal. Sempre que pensar em fazer algo que pudesse interferir com as suas necessidades, estamos moralmente obrigados a levá-los em conta.

Os defensores dos direitos dos animais acreditam que os animais têm um valor inerente, um valor completamente distinto da sua utilidade para os seres humanos. Acreditamos que toda a criatura com uma vontade de viver tem o direito de viver livre de dor e sofrimento. Direitos dos animais não é apenas uma filosofia, é um movimento social que desafia a visão tradicional da sociedade de que todos os animais não-humanos existem apenas para uso humano. Como fundador do PETA Ingrid Newkirk, disse: “Quando se trata de dor, amor, alegria, solidão e medo, um rato é um porco é um cão é um menino. Cada um valoriza sua vida e luta por ela. ”

Apenas o preconceito nos permite negar aos outros os direitos que esperamos ter para nós mesmos. Se ele está baseado em raça, gênero, orientação sexual, ou espécie, o preconceito é moralmente inaceitável. Se você não comeria um cachorro, por que comer um porco? Os cães e os porcos têm a mesma capacidade de sentir dor, mas é o preconceito de espécie, que nos permite pensar em um animal como um companheiro e o outro como o jantar.

O Filósofo e as Baratas

outubro 21, 2013 5 comentários

b2Quem não viu a coluna de Luis Felipe Pondé na edição de 16 de setembro da Folha de São Paulo ?  Trata-se de “A Ética das Baratas”, na minha opinião um texto caricato e preconceituoso. Coloco hoje o texto do Pondé e, em seguida a réplica feita pelo Filósofo Carlos Naconecy. Leiam e tirem suas conclusões.

 

A ética das baratas

 

Luis Felipe Pondé 

As pessoas têm crenças desde a pré-história. Nossa constituição frágil é uma das razões para tal. Hoje, cercados de luxo e levados a condição de mimados que somos, até esquecemos que há anos atrás mais da metade de nossas mulheres morriam de parto. Elas viviam por conta de ficarem grávidas e pronto. Hoje existe essa coisa de “escolha”, profissão, filhos depois da pós, direitos iguais, ar-condicionado, reposição hormonal, bolsa Prada.

Esquecemos que direitos e escolhas são produtos mais caros do que bolsa Prada. Pensamos que brotam em árvores.

Mas existem crenças mais frágeis do que outras, algumas que beiram o ridículo. E algumas delas até recebem bênçãos de filósofos chiques.

Em 1975, o filósofo utilitarista australiano Peter Singer publicou um livro chamado “Animal Liberation”, que deixou o mundo de boca aberta.

Para Singer, “bicho é gente” (porque também sente dor). A partir daí, ele encampou toda uma gama de militantes que gostaria de tornar a alimentação carnívora um crime como o canibalismo.

Achar que se pode comer animais se basearia no preconceito de que os animais seriam “seres inferiores”, daí o conceito de “especismo” como análogo ao de “racismo”, o conhecido preconceito contra certas raças que foram consideradas inferiores no passado.

Tudo bem a ideia de que devemos tratar os animais com respeito e carinho e sem maus-tratos (eu pessoalmente gosto mais dos meus cachorros do que de muitas pessoas que conheço, e um deles é mais inteligente do que muita gente por aí), mas esta discussão quando toca as praias dos fanáticos puristas (essa praga que antes era limitada a crente religioso, mas hoje também se caracteriza por ser um ingrediente do fanatismo sem Deus de nossa época) é de encher o saco. Se um dia eles forem maioria, o mundo acaba.

O mundo não sobreviveria a uma praga de pessoas que não usam sapatos de couro porque os considera fruto da opressão capitalista contra os bichinhos inocentes.

Ainda bem que esta “seita verde” tende a passar com a idade, e aqueles que ainda permanecem nessa depois de mais velhos ou são hippies velhos que fazem bijuteria vagabunda em praças vazias (tem coisa mais feia do que um hippie velho?) ou são pessoas com tantos problemas psicológicos que esta pequena mania adolescente até desaparece no meio do resto de seus sofrimentos com a vida real.

Recentemente ouvi uma história hilária: alguém contra matar baratas porque não se deve matar nenhuma forma de vida. Risadas? É bom da próxima vez que alguém te convidar para ir na casa dela você checar se ela defende os direitos das baratas.

Nem Kafka foi tão longe ao apontar o ridículo de um homem que, ao se ver transformado num enorme inseto marrom, se preocupou primeiro com o fato de que iria perder o bonde e por isso perder o emprego.

Eu tenho uma regra na vida: quando alguém é mais ridículo do que alguns personagens do Kafka, eu evito esta pessoa.

Às vezes me pergunto o que faz uma pessoa razoável cair num delírio como esse. Como assim “não se deve matar nenhuma forma de vida”?

A pergunta é: essa moçadinha seguidora de uma mistura de filosofia singeriana aguada e budismo light (com pitadas de delírio) já olhou para natureza a sua volta?

A natureza é a maior destruidora de vidas na face da Terra. Ela mata sem pena fracos, pobres e oprimidos. A natureza é a maior “opressora” da face da Terra. E mais: normalmente essa moçadinha é bem narcisista e muito pouco solidária com gente de carne e osso.

Se todo mundo defender o direito da baratas, um dia vamos acordar com baratas na boca, nos ouvidos, na xícara do café da manhã. A mesma coisa: se não comermos os bois e as vacas, eles vão fazer uma manifestação na Paulista pedindo direito a pastos de graça (“os sem-pastos”) para garantir a sobrevivência de seus milhões de cidadãos bovinos.

Pergunto a esses adoradores de baratas: ele já pensou que as alfaces também sofrem? ela já pensou que quando come uma alface está interrompendo toda uma vida feliz de fotossíntese? Que as alfaces também choram? Malvados e insensíveis… 

 

A RÉPLICA:

O FILÓSOFO E AS BARATAS

Dr. Carlos Naconecy 

Não conheço tudo que Luiz Pondé escreve, mas, no que se refere aos animais, meu colega filósofo dá belos escorregões. No seu artigo “A Ética das Baratas”, na Folha de S. Paulo on-line, de 16/9/2013, ele nos brinda como uma boa demonstração de quão raso pode ser o nível de argumentação de um filósofo profissional, ainda que se trate de um intelectual com pretensões pop. Chega a ser constrangedor, para quem tem a mesma filiação acadêmica do autor do texto, ler o que ele se propôs a escrever. Pondé dispara afirmações, como se fossem argumentos, contra a noção de consideração moral pelos animais. Pior que isso, quando argumenta, seus argumentos não são apenas ruins, mas tolos.

Pondé sugere que o vegetarianismo se leva muito a sério, a ponto de beirar o ridículo. Para ilustrar essa ideia, ele evoca o pensamento do filósofo Peter Singer, que popularizou a temática animal durante as últimas décadas. Pondé mostra que, se leu Singer, não o compreendeu: o australiano não disse que “bicho é gente (porque também sente dor)”. Singer disse, sim, que bicho é suficientemente semelhante a nós a ponto de merecer uma consideração moral também semelhante quanto ao seu sofrimento e a sua dor. Apenas isso.

Pondé também convida seu leitor a “olhar para a natureza a sua volta” a fim de constatar que ela é “a maior destruidora de vida na face da Terra”. Isso, supostamente, ofereceria um argumento para matarmos, sem qualquer remorso, os animais a nossa volta. Afinal, na natureza os mais fracos são eliminados; nenhum animal respeita o outro; pelo contrário, eles se matam.

Mas o que se pode deduzir desse dado de realidade? Ora, Pondé pode até optar por destruir as vidas dos animais sem pestanejar, mas não pode se basear no que ocorre na natureza para justificar tal escolha. Tampouco um homicida poderia dizer a mesma coisa, em sua defesa, em qualquer tribunal criminal deste país. Também tenho certeza de que, se a própria esposa de Pondé adoecesse, ele não usaria a natureza, que “elimina os mais fracos”, como modelo de conduta, deixando-a morrer. Estou certo de que ele levaria sua companheira para um hospital e faria o que fosse necessário para que ela continuasse bem viva ao seu lado. Então por que, em se tratando da nossa relação com os animais, a implacável lei do mais forte deve servir de orientação para o comportamento humano?

Dos animais comestíveis, Pondé passa para o caso das baratas. Se ele estivesse correto, a corrente filosófica chamada de Ética da Vida seria simplesmente absurda. Os acadêmicos dessa área sabem que esse tema envolve discussões filosóficas cirúrgicas e é foco de publicações acadêmicas respeitáveis. De qualquer maneira, Pondé pergunta surpreso “como assim ‘não se deve matar nenhuma forma de vida'”? A linhagem dos pensadores em prol do Respeito pela Vida, tendo Albert Schweitzer como mentor filosófico, nunca sustentou tal ideia. O que ele e outros tantos já defenderam é que eu não devo matar nenhuma forma de vida quando isso puder ser feito com um mínimo de esforço de minha parte, isto é, sem implicar um significativo prejuízo pessoal ou impedir a condução de uma vida minimamente boa. De qualquer forma, o ônus dessa justificação, o ônus probanti, estaria com aquele que destrói vida – e não com aquele que a preserva.

Pondé, corretamente, nos lembra de que uma vida se sustenta de outra para continuar existindo. Mas quem precisa esmagar uma barata como o único meio para garantir a sua sobrevivência, a preservação de sua saúde ou de sua integridade física? E se Pondé opta por fazer isso, é por outro motivo que não o ecológico: repugnância estética, desconforto psicológico, condicionamento social ou algo que o valha. Essa atitude de desrespeito pela vida permitiria a destruição não apenas da barata nojenta, mas também a eliminação do cão pestilento, da criança com deformidade física e de qualquer coisa mais que venha a mobilizar sua suscetibilidade biocida.

Nesta perspectiva, pergunta-se, o que haveria para ser respeitado? Ora, tudo aquilo que respira sobre a face da Terra (Pondé, eu e baratas inclusive) nos mostra que valoriza a própria vida, em si mesma, ao buscar de forma autônoma e ativa aquilo que o beneficia. Ou ao evitar e resistir àquilo que ameaça a sua existência (como o sapato de Pondé). É justamente esse esforço contínuo em permanecer vivo e evitar a morte que deve receber nosso respeito. Neste sentido, não há um vazio axiológico no inseto. Por quê? Porque uma barata, enquanto estiver viva, está permanentemente valorando coisas: ela prefere comer a passar fome, proteger-se a desabrigar-se, calor ao frio, escuro à claridade, enfim, ela prefere viver a morrer – e viver bem, enquanto barata.

É claro que um inseto não lança e nem é capaz de lançar mão dos mesmos recursos que Pondé se utiliza, no seu dia a dia, para atingir esse intento. Diferentemente de uma barata, Ponde, eu e o restante da humanidade usamos nossa racionalidade abstrata e criatividade, desenvolvemos ciência e construímos civilizações para manter nossa existência nos padrões humanos. Sob essa ótica, portanto, haveria apenas e tão somente uma diferença de sofisticação e complexidade entre pessoas e insetos nesse processo de manutenção de um modo especifico de vida e de valoração existencial.

A propósito, o artigo em questão me fez recordar que afirmei anos atrás, durante uma entrevista de televisão, em horário nobre, ao vivo, que não se deveria matar as baratas que invadissem a nossa casa. Por quê? Ora, o problema a ser resolvido era a presença dela no nosso recinto – e não a sua existência neste planeta. Caso haja um desagrado estético ou um incômodo psicológico com a presença desse inseto, existem modos não letais de evitar que ele compartilhe o mesmo espaço de alguém. E há modos não letais de fazê-lo deixar de compartilhar esse mesmo espaço, uma vez dentro dele. Meu entrevistador logo emendou a seguinte objeção: mas a barata não transmite germes e bactérias nocivas à saúde humana? Respondi que os sapatos dos amigos que veem a minha casa também carregam germes e bactérias, e eu não os mato por causa isso. No mesmo ano dessa entrevista, defendi uma tese de doutorado (em Filosofia) sustentando exatamente esta ideia – Respeito pela Vida –, na qual mencionei, da primeira à última página, baratas, formigas e moscas para ilustrar meu ponto. E não me lembro de alguém na banca de avaliação ter rido do que eu disse à época.

Nenhum animal é um “zero moral”. Nossa relação com insetos inclusive não se dá em um vazio ético absoluto. Eles não são meras coisas, passíveis de serem destruídas sem o menor escrúpulo. Matar um animal, por mais minúsculo ou insignificante que ele possa parecer, não é moralmente equivalente a destruir um brinquedo de plástico. Nem mesmo a vida de uma singela barata é gratuita e esbanjável. E isso não é filosoficamente tão risível quanto o Sr. Pondé desejaria que fosse.

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Carlos Naconecy é filósofo (UFRGS) e doutor em Filosofia (PUCRS). Foi pesquisador visitante em Ética Animal na Universidade de Cambridge, Inglaterra. É membro do Oxford Centre for Animal Ethics. Dentre outras publicações, é autor do livro Ética & Animais, edipurs, 2006.

 

Consórcio vence Leilão de Libra com proposta única

O consórcio formado por Petrobras, as chinesas CNOOC e CNPC, a francesa Total e a Shell Brasil apresentou o único lance e venceu o leilão de Libra, encerrado no Hotel Windsor, no Rio de Janeiro. Foi apresentada oferta de óleo-lucro ao governo de 41,65%, o mínimo determinado no edital.

O consórcio ganha o direito de explorar a área de Libra, a maior do pré-sal, por 35 anos, período no qual podem ser investidos até US$ 181 bilhões. O contrato deve ser assinado com o governo no próximo mês, tornando o consórcio apto a começar imediatamente a pesquisa e exploração da área de mais de 1,5 mil km2 na Bacia de Santos.

Área de Libra tem potencial estimado entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo Foto: Agência Petrobras / Divulgação

Área de Libra tem potencial estimado entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo
Foto: Agência Petrobras / Divulgação

Com o leilão do Campo de Libra, na Bacia de Campos, o Brasil aposta em combustíveis fósseis e poderá figurar entre os maiores emissores de CO2 do mundo. Muitos comemoram os investimentos que entram no país e que podem ajudar a equilibrar as finanças da estatal Petrobras e, ainda, financiar educação e saúde, por exemplo. No entanto, um olhar mais atento revela que não são apenas bons resultados que renderão deste dinheiro.

A decisão brasileira de explorar as reservas de petróleo do Campo de Libra resultará na emissão de até 5 bilhões de toneladas de CO2, o equivalente a mais de três anos das emissões totais nacionais de gases de efeito estufa.

Considerando os números totais estimados para as reservas do pré-sal – 80 bilhões de barris – a queima de todo o óleo será responsável pela emissão de 35 bilhões de toneladas de CO2 durante um prazo de 40 anos, mantendo o Brasil entre os dez maiores emissores mundiais. Para que o país consiga cumprir suas metas nacionais da Política Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) e os objetivos de mitigação das mudanças climáticas, o petróleo do pré-sal deveria permanecer intocado.

Além dos riscos climáticos, a plena exploração comercial da região do pré-sal demanda respostas a desafios técnicos e logísticos de extrema complexidade. Este é um questionamento frequente em relação ao pré-sal brasileiro e que ainda não foi respondido uma vez que o país segue sem um Plano Nacional de Contingência, que deve estabelecer as medidas necessárias a serem tomadas em caso de vazamentos. Ainda, o Brasil opera com tecnologia do passado, já que aproximadamente uma a cada três plataformas atualmente em operação no Brasil foram construídas há 30 anos ou mais e representam maior probabilidade de vazamentos.

Com um potencial abundante de geração renovável como eólica, solar e biomassa, o Brasil perde a chance de inovar e deixa de se posicionar como uma das economias mais sustentáveis e limpas do planeta. O relatório [R]evolução Energética mostra que o país pode reduzir a participação fóssil de sua matriz em 50% até 2050, economizando cerca de R$28,4 bi por ano até lá apenas no setor elétrico.

O campo de Libra é a principal descoberta já feita no Brasil e a maior oferta de um reservatório de petróleo já feita no mundo. O leilão e o modelo de partilha foram planejados para fortalecer a Petrobras, mas desde a descoberta do pré-sal, em 2007, parece que o inverso tem acontecido. A estatal petroleira se endividou ainda mais – um salto de R$49 bi para R$ 176 – e seu valor de mercado despencou 34%.

Além disso, os cofres da Petrobras vem sendo penalizados com o congelamento dos preços da gasolina para controlar a inflação no país. Não só o balanço financeiro de uma das empresas mais importantes do país é prejudicado com os preços fixos da gasolina, como também o setor de biocombustíveis, fundamental para o cumprimento da PNMC. O etanol já teve sua produção impactada nos últimos anos e tem se tornado progressivamente menos competitivo nos postos de abastecimento em relação à gasolina.

“Infelizmente, o governo investe uma enormidade de recursos em uma exploração arriscada do ponto de vista técnico e econômico e altamente danosa para o clima”, afirmou Ricardo Baitelo, coordenador da Campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil. “Estamos hipotecando 70% de todo o nosso investimento na área de energia em um único nicho que, se malograr, prejudicará toda a capacidade produtiva do país, com graves consequências”, continuou Baitelo.

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fonte: greenpeace, ag.rbs