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O Filósofo e as Baratas

outubro 21, 2013 5 comentários

b2Quem não viu a coluna de Luis Felipe Pondé na edição de 16 de setembro da Folha de São Paulo ?  Trata-se de “A Ética das Baratas”, na minha opinião um texto caricato e preconceituoso. Coloco hoje o texto do Pondé e, em seguida a réplica feita pelo Filósofo Carlos Naconecy. Leiam e tirem suas conclusões.

 

A ética das baratas

 

Luis Felipe Pondé 

As pessoas têm crenças desde a pré-história. Nossa constituição frágil é uma das razões para tal. Hoje, cercados de luxo e levados a condição de mimados que somos, até esquecemos que há anos atrás mais da metade de nossas mulheres morriam de parto. Elas viviam por conta de ficarem grávidas e pronto. Hoje existe essa coisa de “escolha”, profissão, filhos depois da pós, direitos iguais, ar-condicionado, reposição hormonal, bolsa Prada.

Esquecemos que direitos e escolhas são produtos mais caros do que bolsa Prada. Pensamos que brotam em árvores.

Mas existem crenças mais frágeis do que outras, algumas que beiram o ridículo. E algumas delas até recebem bênçãos de filósofos chiques.

Em 1975, o filósofo utilitarista australiano Peter Singer publicou um livro chamado “Animal Liberation”, que deixou o mundo de boca aberta.

Para Singer, “bicho é gente” (porque também sente dor). A partir daí, ele encampou toda uma gama de militantes que gostaria de tornar a alimentação carnívora um crime como o canibalismo.

Achar que se pode comer animais se basearia no preconceito de que os animais seriam “seres inferiores”, daí o conceito de “especismo” como análogo ao de “racismo”, o conhecido preconceito contra certas raças que foram consideradas inferiores no passado.

Tudo bem a ideia de que devemos tratar os animais com respeito e carinho e sem maus-tratos (eu pessoalmente gosto mais dos meus cachorros do que de muitas pessoas que conheço, e um deles é mais inteligente do que muita gente por aí), mas esta discussão quando toca as praias dos fanáticos puristas (essa praga que antes era limitada a crente religioso, mas hoje também se caracteriza por ser um ingrediente do fanatismo sem Deus de nossa época) é de encher o saco. Se um dia eles forem maioria, o mundo acaba.

O mundo não sobreviveria a uma praga de pessoas que não usam sapatos de couro porque os considera fruto da opressão capitalista contra os bichinhos inocentes.

Ainda bem que esta “seita verde” tende a passar com a idade, e aqueles que ainda permanecem nessa depois de mais velhos ou são hippies velhos que fazem bijuteria vagabunda em praças vazias (tem coisa mais feia do que um hippie velho?) ou são pessoas com tantos problemas psicológicos que esta pequena mania adolescente até desaparece no meio do resto de seus sofrimentos com a vida real.

Recentemente ouvi uma história hilária: alguém contra matar baratas porque não se deve matar nenhuma forma de vida. Risadas? É bom da próxima vez que alguém te convidar para ir na casa dela você checar se ela defende os direitos das baratas.

Nem Kafka foi tão longe ao apontar o ridículo de um homem que, ao se ver transformado num enorme inseto marrom, se preocupou primeiro com o fato de que iria perder o bonde e por isso perder o emprego.

Eu tenho uma regra na vida: quando alguém é mais ridículo do que alguns personagens do Kafka, eu evito esta pessoa.

Às vezes me pergunto o que faz uma pessoa razoável cair num delírio como esse. Como assim “não se deve matar nenhuma forma de vida”?

A pergunta é: essa moçadinha seguidora de uma mistura de filosofia singeriana aguada e budismo light (com pitadas de delírio) já olhou para natureza a sua volta?

A natureza é a maior destruidora de vidas na face da Terra. Ela mata sem pena fracos, pobres e oprimidos. A natureza é a maior “opressora” da face da Terra. E mais: normalmente essa moçadinha é bem narcisista e muito pouco solidária com gente de carne e osso.

Se todo mundo defender o direito da baratas, um dia vamos acordar com baratas na boca, nos ouvidos, na xícara do café da manhã. A mesma coisa: se não comermos os bois e as vacas, eles vão fazer uma manifestação na Paulista pedindo direito a pastos de graça (“os sem-pastos”) para garantir a sobrevivência de seus milhões de cidadãos bovinos.

Pergunto a esses adoradores de baratas: ele já pensou que as alfaces também sofrem? ela já pensou que quando come uma alface está interrompendo toda uma vida feliz de fotossíntese? Que as alfaces também choram? Malvados e insensíveis… 

 

A RÉPLICA:

O FILÓSOFO E AS BARATAS

Dr. Carlos Naconecy 

Não conheço tudo que Luiz Pondé escreve, mas, no que se refere aos animais, meu colega filósofo dá belos escorregões. No seu artigo “A Ética das Baratas”, na Folha de S. Paulo on-line, de 16/9/2013, ele nos brinda como uma boa demonstração de quão raso pode ser o nível de argumentação de um filósofo profissional, ainda que se trate de um intelectual com pretensões pop. Chega a ser constrangedor, para quem tem a mesma filiação acadêmica do autor do texto, ler o que ele se propôs a escrever. Pondé dispara afirmações, como se fossem argumentos, contra a noção de consideração moral pelos animais. Pior que isso, quando argumenta, seus argumentos não são apenas ruins, mas tolos.

Pondé sugere que o vegetarianismo se leva muito a sério, a ponto de beirar o ridículo. Para ilustrar essa ideia, ele evoca o pensamento do filósofo Peter Singer, que popularizou a temática animal durante as últimas décadas. Pondé mostra que, se leu Singer, não o compreendeu: o australiano não disse que “bicho é gente (porque também sente dor)”. Singer disse, sim, que bicho é suficientemente semelhante a nós a ponto de merecer uma consideração moral também semelhante quanto ao seu sofrimento e a sua dor. Apenas isso.

Pondé também convida seu leitor a “olhar para a natureza a sua volta” a fim de constatar que ela é “a maior destruidora de vida na face da Terra”. Isso, supostamente, ofereceria um argumento para matarmos, sem qualquer remorso, os animais a nossa volta. Afinal, na natureza os mais fracos são eliminados; nenhum animal respeita o outro; pelo contrário, eles se matam.

Mas o que se pode deduzir desse dado de realidade? Ora, Pondé pode até optar por destruir as vidas dos animais sem pestanejar, mas não pode se basear no que ocorre na natureza para justificar tal escolha. Tampouco um homicida poderia dizer a mesma coisa, em sua defesa, em qualquer tribunal criminal deste país. Também tenho certeza de que, se a própria esposa de Pondé adoecesse, ele não usaria a natureza, que “elimina os mais fracos”, como modelo de conduta, deixando-a morrer. Estou certo de que ele levaria sua companheira para um hospital e faria o que fosse necessário para que ela continuasse bem viva ao seu lado. Então por que, em se tratando da nossa relação com os animais, a implacável lei do mais forte deve servir de orientação para o comportamento humano?

Dos animais comestíveis, Pondé passa para o caso das baratas. Se ele estivesse correto, a corrente filosófica chamada de Ética da Vida seria simplesmente absurda. Os acadêmicos dessa área sabem que esse tema envolve discussões filosóficas cirúrgicas e é foco de publicações acadêmicas respeitáveis. De qualquer maneira, Pondé pergunta surpreso “como assim ‘não se deve matar nenhuma forma de vida'”? A linhagem dos pensadores em prol do Respeito pela Vida, tendo Albert Schweitzer como mentor filosófico, nunca sustentou tal ideia. O que ele e outros tantos já defenderam é que eu não devo matar nenhuma forma de vida quando isso puder ser feito com um mínimo de esforço de minha parte, isto é, sem implicar um significativo prejuízo pessoal ou impedir a condução de uma vida minimamente boa. De qualquer forma, o ônus dessa justificação, o ônus probanti, estaria com aquele que destrói vida – e não com aquele que a preserva.

Pondé, corretamente, nos lembra de que uma vida se sustenta de outra para continuar existindo. Mas quem precisa esmagar uma barata como o único meio para garantir a sua sobrevivência, a preservação de sua saúde ou de sua integridade física? E se Pondé opta por fazer isso, é por outro motivo que não o ecológico: repugnância estética, desconforto psicológico, condicionamento social ou algo que o valha. Essa atitude de desrespeito pela vida permitiria a destruição não apenas da barata nojenta, mas também a eliminação do cão pestilento, da criança com deformidade física e de qualquer coisa mais que venha a mobilizar sua suscetibilidade biocida.

Nesta perspectiva, pergunta-se, o que haveria para ser respeitado? Ora, tudo aquilo que respira sobre a face da Terra (Pondé, eu e baratas inclusive) nos mostra que valoriza a própria vida, em si mesma, ao buscar de forma autônoma e ativa aquilo que o beneficia. Ou ao evitar e resistir àquilo que ameaça a sua existência (como o sapato de Pondé). É justamente esse esforço contínuo em permanecer vivo e evitar a morte que deve receber nosso respeito. Neste sentido, não há um vazio axiológico no inseto. Por quê? Porque uma barata, enquanto estiver viva, está permanentemente valorando coisas: ela prefere comer a passar fome, proteger-se a desabrigar-se, calor ao frio, escuro à claridade, enfim, ela prefere viver a morrer – e viver bem, enquanto barata.

É claro que um inseto não lança e nem é capaz de lançar mão dos mesmos recursos que Pondé se utiliza, no seu dia a dia, para atingir esse intento. Diferentemente de uma barata, Ponde, eu e o restante da humanidade usamos nossa racionalidade abstrata e criatividade, desenvolvemos ciência e construímos civilizações para manter nossa existência nos padrões humanos. Sob essa ótica, portanto, haveria apenas e tão somente uma diferença de sofisticação e complexidade entre pessoas e insetos nesse processo de manutenção de um modo especifico de vida e de valoração existencial.

A propósito, o artigo em questão me fez recordar que afirmei anos atrás, durante uma entrevista de televisão, em horário nobre, ao vivo, que não se deveria matar as baratas que invadissem a nossa casa. Por quê? Ora, o problema a ser resolvido era a presença dela no nosso recinto – e não a sua existência neste planeta. Caso haja um desagrado estético ou um incômodo psicológico com a presença desse inseto, existem modos não letais de evitar que ele compartilhe o mesmo espaço de alguém. E há modos não letais de fazê-lo deixar de compartilhar esse mesmo espaço, uma vez dentro dele. Meu entrevistador logo emendou a seguinte objeção: mas a barata não transmite germes e bactérias nocivas à saúde humana? Respondi que os sapatos dos amigos que veem a minha casa também carregam germes e bactérias, e eu não os mato por causa isso. No mesmo ano dessa entrevista, defendi uma tese de doutorado (em Filosofia) sustentando exatamente esta ideia – Respeito pela Vida –, na qual mencionei, da primeira à última página, baratas, formigas e moscas para ilustrar meu ponto. E não me lembro de alguém na banca de avaliação ter rido do que eu disse à época.

Nenhum animal é um “zero moral”. Nossa relação com insetos inclusive não se dá em um vazio ético absoluto. Eles não são meras coisas, passíveis de serem destruídas sem o menor escrúpulo. Matar um animal, por mais minúsculo ou insignificante que ele possa parecer, não é moralmente equivalente a destruir um brinquedo de plástico. Nem mesmo a vida de uma singela barata é gratuita e esbanjável. E isso não é filosoficamente tão risível quanto o Sr. Pondé desejaria que fosse.

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Carlos Naconecy é filósofo (UFRGS) e doutor em Filosofia (PUCRS). Foi pesquisador visitante em Ética Animal na Universidade de Cambridge, Inglaterra. É membro do Oxford Centre for Animal Ethics. Dentre outras publicações, é autor do livro Ética & Animais, edipurs, 2006.

 

Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

19,000 people fit into the new Barclays Center to see Jay-Z perform. This blog was viewed about 60.000 times in 2012. If it were a concert at the Barclays Center, it would take about 3 sold-out performances for that many people to see it.

Clique aqui para ver o relatório completo

Vegetarianismo – fatos e preconceitos

 

Saibam que para a alimentação de um homem onívoro, são necessários recursos que alimentariam 20 vegetarianos. Logo, se a humanidade parasse de comer animais e adotasse uma dieta vegetariana,  produziria muito mais alimento para sua sobrevivência, podendo ainda economizar água e diminuir o desmatamento.

O Vegetarianismo como solução econômica

Como chegamos a essa conclusão? Pois saibam que só no Brasil temos um quarto do território ocupado por pastagens com 200 milhões de cabeças de gado destinados ao consumo humano. As pastagens estão hoje instaladas em grandes extensões de terra que já foram mata nativa. Em tudo o mundo 25% dos grãos produzidos são destinados à alimentação do gado.  Só para termos uma idéia, se os EUA reduzisse em 10% o consumo de carne, os grãos poupados alimentariam 60 milhões de pessoas. Se falarmos na água, um bem raro e precioso, veríamos que, no Brasil, são necessários 43 mil litros para a produção de um quilo de carne e apenas 2 mil litros para um quilo de soja.

O vegetarianismo não é, então, apenas uma questão ética. O vegetarianismo está ligado à própria sobrevivência da humanidade no planeta Terra.

O Brasil tem 32 milhões de pessoas passando fome, porém produz em alimentos 1,5 quadrilhão de calorias a mais que o necessário para alimentar sua população. Essas calorias estão perdidas na má distribuição de riquezas, característica da economia brasileira. Por conta de uma cultura carnívora, onde se aprende que comer carne é o normal, e do mito que diz ser o vegetariano um ser mais “fraco” grande parte da população perde-se em uma dieta de bife, arroz, feijão e batata frita acreditando estar bem alimentado. Na verdade, essa  pessoa pode estar subnutrida. Isso, na melhor das hipóteses, já que não falamos da grande oferta dos fast foods do mundo “moderno”. Quem se alerta para o problema e procura uma vida com menos riscos alimentares, tem buscado como alternativa os produtos ditos saudáveis que vendem a cada ano 15% a mais.

O mito do vegetariano “fraquinho”

Os nutricionistas atestam que viver sem carne é perfeitamente possível e que uma dieta vegetariana pode ser tão boa ou melhor que uma dieta carnívora. Toda dieta, vegetariana ou carnívora, precisa ser equilibrada. O onívoro precisa  comer vegetais, saladas e leguminosas variadas. E a carne pode ser perfeitamente substituída por outros alimentos – o que existe é um grande preconceito a respeito do assunto, que, aliado a uma questão cultural, acaba criando a imagem do vegetariano “fraquinho”.

Como toda a dieta, também na vegetariana precisamos pensar no equilíbrio. As as vitaminas B12 e D3, por exemplo, que só são encontradas em alimentos de origem animal precisam de suplementação. A B12 existe na forma sintética, em comprimidos, e a D3 pode ser assimilada pelo organismo simplesmente tomando sol. Para os veganos e crianças em fase de crescimento, é necessário um cuidado extra com relação ao cálcio, que pode ser facilmente encontrado em suplementos.

Por isso, quando se diz que a dieta vegetariana é melhor e que os homens deveriam repensar seu modo de vida, não estamos falando de modismos…Acredite, é perfeitamente possível viver sem carne – você ganha em saúde, respeita o ecossistema e a vida dos animais. O resto é preconceito.

 

 

 

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Análise: O precursor da Liberdade (verdades da Revolução Farroupilha)

setembro 21, 2010 1 comentário

 

Por: Márcio Ezequiel – Escritor e historiador

Para ser livre, não basta ser forte, aguerrido e bravo. É preciso levar na garupa a verdade acima de quaisquer crenças. Nossa história foi reconstruída na busca de um passado nobre e heróico. A Guerra dos Farrapos, entretanto, não teve origem popular. O tipo social que gerou o gentílico do nosso povo não tinha nas virtudes o seu forte. O gaudério era o andarilho, o vagabundo ou “vagamundo”. Está no dicionário se alguém não acredita.

O gaúcho histórico, a pé ou a cavalo, não era exatamente um “Centauro dos Pampas”. Errava, sem trabalho nem casa, numa terra sem rei nem lei. À medida que foi se fixando como peão de estância, subordinava-se ao patrão sob o pala de uma igualdade social esfarrapada. O único elo de proximidade com o estancieiro era a cuia passada de mão em mão. O escravo não tinha vez nas liberdades do campo. Seu labor ficava restrito ao ambiente doméstico ou às duras tarefas nas charqueadas.

A peonada lutou na guerra a mando do patrão. Já a escravaria, que se iludiu com uma promessa de alforria, foi atacada de surpresa pelos imperiais na Batalha dos Porongos em pleno armistício. Foram dizimados quase todos os Lanceiros Negros que sobreviveram até ali, 1844. Tivesse o grupo de ex-escravos sido liberado, precipitaria um movimento abolicionista armado. Se Canabarro foi conivente ou não com a covardia do ataque não é questão que altere o resultado da chacina.

A Farroupilha, portanto, nada teve de revolução. Foi antes uma revolta da elite pecuarista local contra uma política tributária sobre o charque e seus insumos mais favorável ao concorrente platino. Acho perfeita a definição publicada há alguns anos pelo Juremir Machado, de que se tratou de uma guerra civil que perdemos, assinando um acordo de empate e comemorando como se vitória fosse. A verdade pesa no lombo do pingo, eu sei.

Bueno! Vamos mudar de prosa. Falar de música. O hino rio-grandense traz cifradas algumas ironias em seus versos. Afinal que “façanha” seria essa em que uma “ímpia e injusta guerra” serviria de “modelo a toda terra”? Não faz sentido nem em cabeça de papel.

A composição tem um histórico inusitado. Foi em 1838, em Rio Pardo, ao fim de um dos conflitos mais sangrentos para os legalistas, que a banda imperial foi capturada. O maestro Joaquim José Mendanha foi “convidado” a elaborar uma marcha exaltando a República Rio-Grandense. Cinco dias após a prisão, a obra foi executada ante as fileiras rebeldes. Perceberam a ironia? O hino que defende a liberdade foi composto por um prisioneiro de guerra. A música original foi perdida. Ecoaram rumores de que seria semelhante a uma valsa de Strauss. Não ocorreu a ninguém que o pseudoplágio talvez fosse uma façanha de sobrevivência do maestro?

A melodia do hino tal como conhecida hoje foi recuperada de uma única partitura anotada de memória, em 1887, por um músico chamado José Gabriel Teixeira. E isso quase meio século após sua composição! Acredite se quiser…

Os versos adicionados à música em 1839 eram diferentes e parecem não coincidir em métrica com os atuais. Fora isso, possuem conteúdo com dúbias interpretações. Dizia assim: “Avante, ó povo brioso! / Nunca mais retrogradar / Porque atrás fica o inferno / Que vos há de sepultar.” No último verso, uma polêmica: a falta de acentuação em “vos”, altera o sentido. Seria “vós” a segunda pessoa do plural que sepultaria o “Império infernal” ou um pronome oblíquo indicando quem seria sepultado por ele? Corrobora com esta interpretação uma versão anterior que terminava assim: “Porque atrás fica o abismo / Que ameaça vos tragar”.

Somente em 1966 o maestro Antônio Corte Real adaptou aquela partitura a um ritmo de louvor e epopéia, acrescentando a letra oficial marcada por versos fortes, aguerridos e bravos como: “povo que não tem virtude, acaba por ser escravo”.

Fonte: Diário Popular/Pelotas

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Paraíso dos gatos…

 

Um paraíso na terra para os gatos. Um lugar que deixa qualquer pessoa amante de gatos ou dos animais em geral extremamente feliz. Depois que se passa uma vida inteira vendo os maus tratos aos animais, o sofrimento de gatos de ruas e muitas outras tragédias, conhecer o Rancho Caboodle – mesmo por fotos ou vídeo – é um colírio para os olhos, é um Oasis em meio ao deserto. E pensar que esse paraíso surgiu da idéia de uma única pessoa é fantástico.

A idéia do rancho ou fazenda para os gatos, que na verdade mais parece uma cidade dos gatos, localizada em Jacksonville, Florida, surgiu por acaso em 2003 e de lá para cá se expandiu para um verdadeiro santuário de 30 acres que abriga mais de 500 gatos abandonados ou sem lar. Seu fundador, Craig Grant, é que mantém o custeio quase que total do santuário. Esse senhor simpático grande amante dos animais vê toda sua felicidade e realização em ver a felicidade e boa vida que levam os gatos neste local.


Com muita habilidade e criatividade o próprio Grant construiu a maior parte do lugar e o mantém embora precise trabalhar fora para manter-se e aos gatos. A maioria dos gatos que vivem no local era gatos de rua ou abandonados que viviam vagueando sem teto. Outros ainda vieram parar no local porque por algum motivo seus donos não puderam ficar com eles.

A manutenção do rancho consume cerca de 6.000 dólares por mês, que Grant consegue às vezes com muito sacrifício, tudo para conseguir dar uma boa vida para os bichanos que tanto ama. Na verdade esse grande herói dos gatos afirma que às vezes ele nem tem dinheiro para comer, mas não deixa faltar aos gatos. Em seu blog – Um dia na fazenda – ele descreve os desafios cotidianos da manutenção de seus gatos, de suas preocupações quando tem que viajar e deixar os gatos e muitas outras coisas.

Apesar dos sacrifícios, e da pouca ajuda que recebe, os gatos são bem cuidados. Castrados, com atendimento veterinário para cada um deles, alimentação, água e um lugar de sonho que inclui árvores e até casinhas para abrigá-los das intempéries. Claro que com tudo isso os gatos o adoram, basta ver que o seguem por toda parte e o reconhecem de longe. É algo maravilhoso de se ver quando Grant está no meio deles.

Por incrível que pareça, a história desse homem maravilhoso e seus gatos nasceu por acaso. Aliás, ele nem sequer gostava de gatos. Eis como ele narra sua história no site Rancho dos Gatos:

Conheça a história contada por Grant, seu idealizador
Eu estava alugando uma casa de condomínio a dois passos da praia com meu filho. Tinha todos os confortos e conveniências do lar. Quarto mobiliado, a um curto passeio até a praia e perto do trabalho. Então, meu filho saiu por conta própria pela primeira vez. Ele deixou sua gata comigo, porque ele não podia levá-la com ele. Eu não gostava de gatos, mas concordei em ficar com ela. Eu não estava acostumado a ficar sozinho e a gata Pepper não era qualquer uma. Nós lentamente começamos nos dar bem. Alguns meses se passaram e eu descobri que ela estava grávida. Oh grande, e agora? Ela teve cinco gatinhos. Eu queria dar-lhes sumiço, porque eu não queria a minha linda casa destruída, mas meu filho disse-me que tinha que ficar com a mãe durante 8 semanas. Durante esse tempo eu aprendi que cada gato tem sua personalidade própria e não demorou muito para que os gatinhos estivessem balançando as minhas cortinas. Eu não me importava. Algo tinha mudado… Eu não queria abandoná-los.


Mas, com seis gatos, as reclamações começaram com o proprietário do condomínio e os vizinhos. Eu sabia que tinha que procurar outro lugar para ir. Eles não estavam seguros na vizinhança.

Encontrei um de meus gatos machucado e outro foi mordido por um pitbull que eu sei que foi solto para esse fim. Algo precisava ser feito.

Eu não sabia o que fazer em primeiro lugar, assim eu construí um barracão no quintal do meu filho e vivi nele por um tempo. Então eu encontrei um anúncio de um corretor de imóveis oferecendo cinco acres em uma fazenda com árvores; financiada direto do proprietário, a baixo custo mensal… O problema era que ele estava 100 quilômetros a oeste de Jacksonville.

Saí para ver e adorei. Ao longo dos próximos meses, eu comprei mais cinco terrenos. Agora tenho 25 acres.
Limpei uma pequena área e comprei um trailer como um refúgio para meus gatos. Eu coloquei nele uma porta de animal de estimação e prateleiras acolchoadas para eles. Nessa época eu tinha 11 gatos. Eu tinha ficado com gatos abandonados e errantes da vizinhança e das áreas que eu trabalho como um empreiteiro. Eu tinha 22 gatos até a primavera de 2004.

Não tenho mais nenhum dos meus móveis antigos; itens materiais não são importantes para mim mais. Meus gatos me fizeram mais feliz do que nunca. Eles realmente são os melhores amigos que eu já tive.
Caboodle Fazenda agora é um santuário permanente para os gatos que têm sido chutados por pessoas sem coração. Há muitas histórias tristes entre todos os gatos que eu adotei. Alguns quase morreram de fome, alguns deles se encontravam feridos. Eu vi muitos fechados em jaulas durante meses em abrigos de animais e fiquei com alguns deles também.
Todos os gatos foram esterilizados ou castrados, todos as vacinas são atualizadas e eu mantenho as visitas regulares ao veterinário para cada um deles. Eu viajo a 250 milhas de ida e volta várias vezes por semana para trabalhar e voltar para manter um porto seguro para se viver. Cada um dos meus gastos saíram do meu próprio bolso e faço com muito pouco para que eu possa dar-lhes uma vida feliz, mas nem sempre é fácil.

(Fotos: Divulgação) (Fonte: Caboodle Ranch) Leonardo Bezerra.

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ALIMENTAÇÃO SEM CARNE – Dr. Eric Slywitch

setembro 11, 2010 1 comentário

alimentacaosemcarne 

Notícia bem interessante o lançamento do livro ALIMENTAÇÃO SEM CARNE do médico Eric Slywitch. O livro é 100% embasado em artigos científicos, traz informações sobre nutrientes e ensina como montar um cardápio vegetariano através dos grupos alimentares.

Meu objetivo, ao escrever este livro, foi fornecer informações consistentes, seguras e, sobretudo, imparciais sobre a dieta vegetariana…espero que este livro sirva como uma fonte de informações para as pessoas que, equivocadamente, acreditam que a dieta vegetariana não é segura”,  diz Eric que é vegetariano desde 1992 e mantém o site: www.alimentacaosemcarne.com.br

 

 

alimentação sem carne ericMédico especialista em Nutrologia, Nutrição Clínica e Nutrição Enteral e Parenteral e coordenador do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).Como médico, coordena a Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional (EMTN) do Hospital e Maternidade Santa Marina (em São Paulo). Como Professor, ministra aulas para médicos e nutricionistas no curso de pós-graduação do Instituto de Pesquisa, Capacitação e Especialização (IPCE), no Centro de Excelência em Ensino na Saúde (CBES) e no curso de especialização em Nutrição Clínica do Ganep (Grupo de Nutrição Humana).

Dr. Eric Slywitch – CRM 105.231

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Um passante

“Talvez uma alma pensante que passa descontente diante do que vê. Talvez um pequeno infante que não enxerga tanta graça no que tem a aprender. Talvez um ser delirante que não sente alegria na realidade de viver. Ou talvez somente um passante que procura melhor o mundo compreender…”

Pois é, me perguntava porque ainda não tinha escrito a coluna do Vista-se…e vinha uma sensação de quem quer dizer alguma coisa e resolve deixar prá lá… Isso era algo que já estava me incomodando. Então li aquilo que está ali em cima – e entendi.

 

É do http://pensamentoscabiveis.blogspot.com/ e tem muito mais. Vale a pena…dá uma olhada lá.

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