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Os Humanos, os Zoológicos e o Bem Estar Animal

Zoológicos: o confinamento de animais até sua morte

A compra de três girafas para o Zoológico de Sapucaia do Sul/RS tem gerado discussões sobre a necessidade da sociedade humana manter animais não humanos em cativeiro para seu entretenimento.

A pergunta é: Se atualmente, com o auxílio dos meios de comunicação, as pessoas podem,
entre outras possibilidades, observar animais silvestres em seu próprio habitat, não interferindo no ambiente dos mesmos e no seu bem-estar, qual a justificativa ética para apreendê-los e confiná-los em jaulas com o intuito de entreter o ser humano?

Histórico

A cultura de manutenção de animais selvagens em zoológicos começou com os egípcios, que capturavam em suas viagens e batalhas pequenos gatos selvagens, babuínos e leões, e os mantinham em seus templos como símbolo de força e poder. Este costume passou também para os cidadãos, que adquiriram o hábito de colecionar animais exóticos. Quanto mais selvagem e raro fosse o animal, mais status social adquiria seu proprietário. O primeiro zoológico público foi fundado no século XVIII em Paris, na França, o “Jardin des Plants”. Os animais eram oriundos de apreensões em circos e outros eventos que utilizavam animais em shows. Em 1826 foi fundado o Zoológico da Sociedade de Londres, por Sir Stamford Raffles e Sir Humphry Davy, com o objetivo de ser uma instituição científica para o estudo da zoologia. Porém com a finalidade de serem obtidos recursos financeiros para a manutenção dos animais, o local tornou-se aberto à visitação pública e começou a exibir os animais e fazer shows para atrair os visitantes. Nestes zoológicos, os recintos e as jaulas eram construídos para proporcionar aos visitantes o melhor ângulo de visão, e não para dar boas condições de vida aos animais, pois não havia uma preocupação com o bem-estar animal. Só em 1900 foi fundado, na Alemanha, o “Stellingen Zôo”, pelo naturalista Carl Hagenbeck onde os animais tinham recintos mais apropriados, simulando um pouco seu ambiente natural e com espaços maiores, demonstrando uma preocupação com a minimização do desconforto dos animais. A partir deste zoológico, outros países da Europa e os Estados Unidos da América passaram a tê-lo como modelo e o bem-estar animal passou a ser levado em consideração respeitando-se, é claro, o interesse econômico. (Adaptado do artigo publicado no anais do III Congresso Internacional Transdisciplinar Ambiente e Direito-III CITAD, realizado em Porto Alegre na PUCRS em 2007)

Objetivos do zoológico

Os jardins ou parques zoológicos são considerados locais destinados à coleção de animais selvagens, principalmente desconhecidos do público, para exibição, preservação e reprodução desses animais. Atualmente, os parques zoológicos apresentam como objetivo:

1) a conservação de espécies, servindo como local de preservação de espécies ameaçadas de extinção pela destruição de seu habitat natural, sendo o ponto mais forte a reprodução de animais em cativeiro, que vem apresentando grande sucesso e despertando, por conseguinte, o interesse da comunidade científica.

2) o desenvolvimento e aperfeiçoamento profissional, propiciando oportunidades
impares de especialização a vários profissionais, principalmente técnicos zoológicos, supervisores e cuidadores de animais silvestres que, por lidarem mais intensamente com eles, precisam ter preparação, a fim de, garantir sua própria segurança. É importante frisar que, por mais acostumados que estes animais silvestres estejam com os seres humanos, não são domesticados e podem apresentar uma certa agressividade, proveniente do comportamento natural da espécie;

3) a pesquisa científica, resgatando o objetivo primeiro do Zoológico da Sociedade de Londres, criado em 1826. Hoje em dia a finalidade das pesquisas é principalmente buscar melhorias para centros de conservação de espécies.

4) a educação ambiental, tentando conscientizar as pessoas da importância de
conservar a natureza, preservando espécies locais e possibilitando um melhor entendimento das inter-relações entre os animais e seu papel no ecossistema. Este ponto merece ressalva, pois é questionável o real aspecto educativo desses centros no instante em que podemos verificar animais sob stress e com comportamentos alterados pelo cativeiro;

5) o lazer dos seres humanos, utilizando os animais para entretenimento, possibilitando ao público apreciar animais exóticos. Este ponto merece também uma atenção especial: deve-se levar em consideração que esses animais, muitas vezes, são oriundos de locais com clima, vegetação e alimentação distintas do zoológico onde estão confinados. Com o intuito de saciar os desejos e curiosidades do ser humano, estes seres vivos são submetidos a situações desfavoráveis, ocasionando um stress desnecessário o qual, muitas vezes, é externado através de comportamentos anormais, podendo levar a quadros graves de depressão;

CATIVEIRO E BEM ESTAR ANIMAL

Toda espécie animal apresenta um comportamento normal padrão. A presença de comportamentos anormais pode ser considerada um indicador de que o bem estar desses seres vivos não está sendo alcançando. Sabe-se que o cativeiro é um fator limitante, e leva muitos animais a terem um comportamento diferenciado, até
neurótico, sendo considerado um comportamento anormal, já que os locais onde permanecem confinados não proporcionam a eles as mesmas condições que seu habitat natural, interferindo no seu bem-estar.

Alguns animais quando são retirados do seu habitat natural podem desenvolver a síndrome da má adaptação, que leva o animal a anorexia e morte.

CONSIDERAÇÕES ÉTICAS

Uma análise crítica da situação e dos objetivos de uma instituição como o zoológico nos leva a mais reflexões éticas sobre o uso de animais não humanos pelos seres humanos: a manutenção de animais em cativeiro representa um adequado papel na educação ambiental? Como dito anteriormente, sabe-se que a
vida em cativeiro leva à comportamentos anormais e, muitas vezes, autodestrutivos, exigindo, por isso, uma forte justificativa científica e ética para esse confinamento.

Em nenhuma fonte pesquisada, apareceram fundamentos suficientemente fortes para justificar os zoológicos como local de entretenimento, o que nos leva a propor uma reflexão sobre a real necessidade de observação de animais selvagens em cativeiro para divertimento humano. O desenvolvimento tecnológico permite que possamos observar animais selvagens em seus próprios habitats, sem interferir no ambiente e no comportamento das espécies, proporcionando, assim, uma percepção real de seu comportamento e respeitando sua integridade animal.

Fica um convite a reflexão!

Fonte: UMA REFLEXÃO SOBRE ANIMAIS SELVAGENS CATIVOS EM ZOOLÓGICOS
NA SOCIEDADE ATUAL-Aline Sanders, Anamaria Gonçalves dos Santos Feijó

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Categorias:ANIMAIS, ÉTICA, SOCIEDADE
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