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Ainda sobre mulheres: o absurdo texto de Pondé na Folha S.Paulo

Depois do meu post “A mulher e o lar” que fala de um livro anos 50, coloco agora algo mais atual. Quem achou absurdo os ensinamentos daquele livrinho vai enfartar ao ver o testículo (perdoem-me a brincadeira) do Luiz Felipe Pondé, na folha de S.Paulo (reproduzo abaixo). Pasmem: é de setembro de 2010!!!

Começo pelos comentários (de duas mulheres) sobre o tal texto publicados pela Folha. Vejam:

Mulher

1) O artigo “Restos à janela”, de Luiz Felipe Pondé (Ilustrada, 13/ 9), é um desfile tenebroso de acusações e preconceitos.

Diz que a mulher atual é fácil -“nem um “jantar” é preciso pagar para levá-las à cama”- e quase chama de macacas aquelas que não se depilam -“cuidado ao passar a mão nas pernas delas, porque será como mexer nas suas próprias pernas”.

Pondé traça um retrato do que há de mais retrógrado e conservador na sociedade. O articulista critica as que não priorizam a maternidade e conclui que as feministas são um bando de recalcadas que têm medo de mulheres bonitas e arrumadas. Nada mais clichê.

MAÍRA KUBÍK MANO , jornalista, editora do “Le Monde Diplomatique” no Brasil (São Paulo, SP)

2) Em seu artigo de 13/9, Luiz Felipe Pondé diz que “mergulhadas em exigências, mulheres morrem sós à janela”. Isso tem de virar um “cult”. Estamos mesmo precisando de repertório contra a conversa padronizada.

“All I want is a husband”, como ele cita, é realmente o que tenho constatado na minha clínica de dermatologia, onde já atendi 44 mil pessoas, cerca de 65% delas mulheres.

Não importa a classe, a profissão, a idade… Todas querem a mesma coisa, doa a quem doer.
Só Pondé é “super-homem” para ter coragem de falar… E falar tão lindamente!

LIGIA KOGOS (São Paulo, SP)

Abaixo o texto, para que vocês tirem as próprias conclusões:

Restos à janela

POR LUIZ FELIPE PONDÉ

“Sou um tanto maníaco por detalhes. Às vezes, me pego pensando em Walter Benjamin, o grande pensador judeu alemão que se suicidou durante a Segunda Guerra Mundial, e entendo sua obsessão pelos detalhes do mundo.

A matéria de que é feita a consciência muitas vezes se encontra nos detalhes, principalmente nos restos do mundo, restos ridículos de um mundo em clara agonia. Hoje vou dar um exemplo de como uma migalha do mundo pode ser representativa do nosso ridículo.

O detalhe ridículo de hoje se refere a um novo movimento de conscientização que nasce. Vejamos.

O que haveria de errado em mulheres que querem atrair os homens e por isso se fazem bonitas? Macacas atraem macacos, aves fêmeas atraem aves machos.

Mas parece haver umas pessoas por aí que acham que legal é ser feia. É, caro leitor, se prepare para a nova onda feminista: mulheres peludas. Para essas neopeludas que não se depilam ter pelos significa ser consciente dos seus direitos.

Quais seriam esses “direitos”? De ser feia? De parecer com homens e disputar o Prestobarba de manhã? Antes, um reparo: “direitos” hoje é uma expressão que serve para tudo. Piolhos terão direitos, rúculas terão direitos, ratos já têm direitos. Temo que apenas os machos brancos heterossexuais não tenham direitos.

Pensou? Machista! Desejou? Machista! Deu um presente? Machista! Se você aceitar ser eunuco, obediente, desdentado e, antes de tudo, temer a fúria das mal-amadas, aí você será superlegal. De repente, elas exigirão uma sociedade onde todos terão seu Prestobarba. Cuidado ao passar a mão nas pernas delas porque será como mexer nas suas próprias pernas.

Estou numa fase preocupado em ajudar o leitor a formar um repertório que escape do blá-blá-blá mais frequente por aí. Por isso, nas últimas semanas, tenho indicado leituras. Proponho hoje a leitura de “Feminist Fantasies” (fantasias feministas), de Phyllis Schlafly, cujo prefácio é assinado por Ann Coulter, a loira antifeminista que irrita a esquerdinha obamista, antes de tudo, porque é linda, com certeza.

Para piorar, Ann Coulter é inteligente e articulada. Mas, em se tratando de mulher, é antes de tudo a inveja pela beleza da outra que move o mundo a sua volta.

Dirão as ideólogas do “eunuco como modelo de homem” que a culpa é nossa (masculina) porque as mulheres querem nos seduzir e, aí, elas se batem na arena da sedução. Mas, se elas não quiserem nos seduzir, qual seria o destino de nossa espécie? Para que elas “serviriam”? Deveriam elas (as que querem ser bonitas para nós homens) ser condenadas porque são normais?

O primeiro artigo deste livro é já uma pérola de provocação: “All I Want Is a Husband” (tudo o que quero é um marido).

Contra a “política do ódio ao macho”, nossa polemista afirma que a maioria das mulheres, sim, quer, antes de tudo, amor e lar.

Quando elas se lançam na busca do amor e sucesso profissional em “quantidades iguais”, mergulham numa escolha infernal (a autora desenvolve a questão nos ensaios seguintes) que marca a desorientação contemporânea. O importante, antes de tudo, é não mentirmos sobre isso e iluminarmos a agonia da vida feminina quando submetida à “política do ódio ao macho”.

A vida amorosa nunca foi feliz. E nunca será. Mas a mentira da “emancipação feminina” é não reconhecer que ela criou novas formas de vida para a mulher em troca de novas formas de agonia.

Diz um amigo meu que, pouco a pouco, as mulheres se tornam obsoletas. Por que não haveria mais razão para investir nelas?

Conversando sobre esses medos com alunos e alunas entre 19 e 21 anos, percebi que muito da “obsolescência da mulher” é consequência de três queixas masculinas básicas: 1. Elas são carreiristas; 2. Não valorizam a maternidade; 3. Não cuidam da vida cotidiana da família. Associando-se a este “tripé”, o fato que elas começam a ganhar bem, nem um “jantar” é preciso pagar para levá-las à cama. Resultado: a facilidade no sexo de hoje é a solidão de amanhã.

Mergulhadas em suas exigências infinitas, morrem à janela, contabilizando as horas, contemplando o próprio reflexo.”

Sobre esse texto, em seu blog, a jornalista Maira K. Mano (do primeiro comentário na Folha) diz:

“Abri a Folha de S. Paulo só no fim do dia hoje, movida pelo comentário de dois amigos que me impeliram a ler a coluna de Luiz Felipe Pondé no caderno Ilustrada. “É um texto absurdo”, disseram.

Pois bem, lá fui eu, averiguar a denúncia. A princípio, achei que era brincadeira. “Não é possível que ele fosse escrever isso, gente! Com certeza vai publicar outro texto dizendo que se trata apenas de uma provocação para pensarmos o quanto o mundo ainda continua machista, estimulando a reflexão!”

“Acho que não”, responderam os amigos. “Ele realmente acredita nisso.”

Bem, se for sério, o artigo é um desfile tenebroso de acusações e preconceitos. De dizer que a mulher atual é fácil – “nem um ‘jantar’ é preciso pagar para levá-las à cama – até quase chamar de macacas aquelas que não se depilam” – “cuidado ao passar a mão nas pernas delas porque será como mexer nas suas próprias pernas” –, Pondé traça um retrato do que há de mais retrógrado e conservador na sociedade. Critica aquelas que não priorizam a maternidade e conclui que as feministas são um bando de recalcadas que têm medo de mulheres bonitas e arrumadas. Nada mais clichê.

Ele só pode estar brincando, né?”

Creio que devemos perguntar a ombudsman da Folha, Suzana Singer, o que aconteceu com o bom senso da redação, que permitiu a veiculação de um texto tão ofensivo e grosseiro.

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