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POLÊMICA: Jornalista é demitido da National Geographic por criticar Veja no Twitter

 

O jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, licenciada pela editora Abril, foi demitido nesta terça-feira (11) por ter criticado via Twitter a maior publicação da casa, a revista Veja.

Milanez, na National desde outubro de 2008, publicou, em seu perfil no microblog, comentários a respeito da reportagem "A farsa da nação indígena", veiculada na última edição da revista. "Veja vomita mais ranço racista x índios, agora na Bolívia. Como pode ser tão escrota depois desse século de holocausto? (sic)", escreveu em post no último domingo (9).

Em mensagem no mesmo dia, Milanez complementou dizendo que ignorava a Veja, mas "racismo" da publicação fez com que se manifestasse. "Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas (sic)".

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Milanez admitiu que fez observações contundentes sobre a publicação, mas que foi surpreendido pela demissão. "Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido [com a reportagem]. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos", lamentou o ex-editor.

A decisão de demitir o jornalista, segundo ele, teria vindo diretamente de setores da Editora Abril ligados à revista Veja e repassada aos responsáveis pela National Geographic. "Não sei quem decidiu e como", disse.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou à reportagem que Milanez foi demitido pelos comentários no Twitter. "Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão", disse.

Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que "fez o que tinha que fazer exercendo a função".

Declaração fabricada

Felipe acusa a revista Veja de ter inventado uma declaração sua. De acordo com o pesquisador, a revista atribuiu “mentirosamente” a ele uma frase publicada na reportagem “A farra da antropologia oportunista”, publicada na edição desta semana.

“Seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: ‘Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original’. Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma”, afirmou, em carta enviada à revista.

Revista nega acusações
A Veja respondeu ao antropólogo em carta publicada em seu site. A revista nega as acusações e diz que no início de março “fez contato com Viveiros de Castro por intermédio da assessoria de imprensa do Museu Nacional” e, também por assessoria, foi recomendada a ler o artigo “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é”.

A revista diz ainda que a frase publicada “espelha opinião escrita mais de uma vez em seu texto”. “O antropólogo pode não corroborar integralmente o conteúdo da reportagem, mas concorda, sim, como está demonstrada em sua produção intelectual, que a auto declaração não é critério suficiente para que uma pessoa seja considerada indígena”.

Tréplica
A resposta da Veja gerou uma tréplica de Viveiros de Castro, que diz que a revista reincide “na manipulação e na mentira; pior, confessam cinicamente que fabricaram a declaração” a ele atribuída. O antropólogo confirma o contato da assessoria de imprensa do Museu Nacional perguntando se ele poderia conversar com os repórteres.

“Respondi que não pretendia sofrer qualquer espécie de contato com esses profissionais, visto que tenho a revista em baixíssima estima e péssima consideração. Esclareci à Assessoria do Museu que eu tinha diversos textos publicados sobre o assunto, cuja consulta e citação é, portanto, livre, e que assim os repórteres, com o perdão da expressão, que se virassem”, afirmou em sua tréplica.

O antropólogo reafirma que a declaração publicada pela revista “grotesca” e nega refletir o seu pensamento.

“Eu digo exatamente o contrário, a saber, que é impossível de um ponto de vista antropológico (ou qualquer outro) determinar condições necessárias para alguém (uma pessoa ou uma coletividade) ‘ser índio’. A frase falsa de Veja põe em minha boca precisamente uma condição necessária, e, ademais, absurda. Em meu texto sustento, ao contrário e positivamente, que é perfeitamente possível especificar diversas condições suficientes para se assumir uma identidade indígena. Talvez os responsáveis pela matéria não conheçam a diferença entre condições necessárias e condições suficientes. Que voltem aos bancos da escola”, rebateu Viveiros de Castro.

O que diz o sindicato

A demissão do jornalista Felipe Milanez, ex-editor da revista National Geographic Brasil, do Grupo Abril, foi repudiada e classificada como "arbitrária" pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo (SJSP) em comunicado divulgado nesta quarta-feira (12).

Na avaliação do Sindicato, "a atitude autoritária revela, de forma incontestável, o cinismo por trás das permanentes declarações de prepostos da empresa a favor da ‘liberdade de imprensa’ e da ‘liberdade de expressão’. 

Milanez, na opinião da representação sindical, "apenas expressou sua opinião pessoal sobre uma reportagem de conhecimento público, fato corriqueiro na vida de jornalistas".

O SJSP aproveitou, ainda, para criticar o procedimento da Veja na reportagem que teria motivado a demissão do jornalista. A empresa admitiu que a matéria em questão utilizou fala do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro captada em outra ocasião, sem que Castro soubesse. Ao tomar conhecimento da suposta citação, o antropólogo contestou a revista.

"A maneira leviana e antiética como a revista Veja aborda o caso deixa patente a questão da impunidade. A editora Abril sente-se proprietária não apenas do direito de expressão, mas da própria consciência alheia, chegando a afirmar a um antropólogo que, mesmo que ele não tenha dito uma frase, a frase é dele, porque a revista assim o quer!", disse a entidade.

As matérias da veja:

http://veja.abril.com.br/050510/farra-antropologia-oportunista-p-154.shtml

http://veja.abril.com.br/120510/farsa-nacao-indigena-p-134.shtml

 

 

Fontes:

  • portal imprensa
  • comunique-se
  • twitter

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Categorias:Uncategorized
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