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VIVISSECÇÃO – por que ainda existe?

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Ontem foi o dia Mundial Antivivissecção, ou seja, contra qualquer prática de experimentação que utilize animais. Vivissecção, no sentido literal: cortar um corpo vivo.

NA HISTÓRIA:

A partir da década de 1870, mamíferos, especialmente cães e gatos, passaram a ser usados em vivissecções, ao invés dos répteis usados nas décadas de 1830 e 1840. Durante os anos 1870, formaram-se associações para abolir a vivissecção, tais como a British Union for the Abolition of Vivisection (União Britânica para a Abolição da Vivissecção) e a National
Anti-Vivisection Society (Sociedade Nacional Antivivissecção). Embora a SPCA desde o início condenasse a vivissecção como um abuso de animais, a legislação não foi implantada até 1876. Esse “projeto de emenda de lei relativo à crueldade com os animais” foi o primeiro desse tipo no mundo e regulamentou os procedimentos para licenças e inspeção geral de experiências com animais.

Em 1906, um famoso evento ficou conhecido como o Brown Dog Affair (Caso do Cachorro Marrom). Dois alunos de Medicina tornaram públicos procedimentos experimentais cruéis e chocantes feitos com cães e adotados em instituições médicas em nome da ciência. Isso levou à confecção da estátua de um cachorro marrom no Battersea Park, em Londres, pelo International Anti-Vivisection Council (Conselho Antivivissecção Internacional): um simbólico memorial para animais vivissecionados em laboratórios. Um ano depois, cem alunos de medicina tentaram remover a estátua, mas moradores locais a defenderam com sucesso. Embora a estátua tenha desaparecido em 1910, no mesmo ano milhares de pessoas compareceram a um protesto contra vivissecção em Trafalgar Square. O incidente gerou grande publicidade para a causa antivivissecção, assim como estimulou muitas discussões na imprensa.

No ano seguinte, 1911, a Lei de Proteção Animal foi aprovada no Reino Unido, o que consolidou toda a legislação existente para a proteção animal.

ATUALMENTE, o principal argumento antivivissecção  está expresso nas palavras do médico inglês Robert Sharpe, autor de Science on Trial (Ciência em julgamento, inédito no Brasil): "Homens e animais têm organismos e reações bioquímicas diferentes. Se um estudo com hamsters achar a cura do câncer, ela servirá só para curar o câncer em hamsters".

A inutilidade dos testes em animais se estende às pesquisas de novas drogas. Apesar do enorme número de cobaias sacrificadas para testar a eficácia e os efeitos colaterais de novas substâncias, 95% dos fármacos aprovados em animais acabam descartados nos testes em voluntários humanos e não chegam ao mercado. Uma revisão realizada pelo governo americano nas drogas lançadas entre 1976 e 1985 revelou que 51,5% delas ofereciam riscos não previstos nos testes.

Vale também o raciocínio inverso: ao testar substâncias em animais, os cientistas poderiam descartar drogas promissoras para humanos só porque elas causaram mal a ratos ou porcos. A aspirina, por exemplo, causa deformidades nas crias de roedores, cães, gatos e macacos, embora para nós seja segura. Já a penicilina é fatal para o porquinho-da-índia.

Sheila Moura, da Sociedade Fala Bicho, acredita que a resistência  ao uso de métodos substitutos esconde um dogma. "Muitos cientistas reconhecem que existem substitutos para os animais, mas ainda assim usam as cobaias por medo de que seu estudo seja questionado por não usar o método tradicional. Essa mentalidade precisa mudar."

O segundo grande argumento antivivissecção é que não interessa se o uso de animais ajuda ou não a ciência: nós simplesmente não temos o direito de sacrificá-los. "A questão é moral. Se há um dilema em usar animais, então temos de buscar alternativas. Mas, se os usamos sob o argumento de que não há alternativas, então nunca vamos encontrá-las", diz Rita Leal Paixão, professora do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal Fluminense, pesquisadora de ética aplicada e bioética da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Alguns exemplos corroboram suas palavras. Na Inglaterra, a proibição de usar animais para praticar microcirurgia levou à adoção de técnicas que usam placenta humana. 

Para o filósofo australiano Peter Singer, autor de Animal Liberation (Liberação dos animais, inédito no Brasil), um clássico sobre o assunto, há, sim, um problema ético em usar qualquer ser capaz de sentir dor. A classificação dos seres em humanos e não-humanos, para Singer, configura "especismo", uma discriminação que equivaleria ao racismo. "Há animais cujas vidas, por quaisquer critérios, são mais valiosos que as vidas de alguns seres humanos. Um chimpanzé ou um porco tem um grau mais alto de autoconsciência e uma maior capacidade de relações significativas do que uma criança com uma doença mental séria", diz Singer. Ou seja: quem admite cortar um macaco em nome da ciência teria que admitir também cortar uma criança com paralisia cerebral, por exemplo.

"Um dia, a experimentação animal será considerada tão absurda como hoje nos é a idéia do holocausto, da escravidão, da inquisição", diz Sheila Moura, da Sociedade Fala Bicho.

 

 

Fonte:

superabril.com.br

ptextranet.animalwelfareonline.org

direitosanimaisunicamp.blogspot.com

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Categorias:Uncategorized
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