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Ativista vegana processada obtém vitória na justiça !

fevereiro 27, 2010 Deixe um comentário

 

Todos sabem do caso de Bianca Kölling Turano, ativista pelos direitos animais, militante do movimento pela Libertação Animal e coordenadora da Sociedade Vegetariana Brasileira/RJ que sofreu processos judiciais por alguns de seus atos em prol dos animais, não é?

Então, só para lembrar, Bianca foi testemunha de uma situação de isolamento contínuo imposta a uma cadela da raça boxer chamada Shakira. Este animal vivia em uma varanda de 12m², tendo pouco contato com os humanos, estando sozinha a maior parte de seus dias e noites e, assim, demonstrando visíveis sinais de depressão e tristeza.

Por importar-se com o destino e o bem-estar de Shakira, Bianca escreveu uma carta relatando sua preocupação ao proprietário da cadela boxer e divulgou a situação para outros ativistas em prol dos direitos dos animais,  participando também de uma manifestação aberta pela libertação de Shakira.
As ações foram parar nos jornais, televisão, Ministério Público e, então, na Justiça.

Pois a boa nova é que a SVB obteve vitória na justiça. Segue, abaixo,  a decisão judicial na íntegra:

Processo número: 2009.209.021288-0
Autor: Cristiana Menezes Fonseca Ramos Maggessi Pereira
Réu: SVB – Brasil
PROJETO DE SENTENÇA
Dispensado o relatório na forma do artigo 38 da Lei 9.099/95, passo a decidir. Trata-se de ação ordinária na qual a parte autora pleiteia indenização por danos morais alegando, em síntese, que juntamente com sua família, foi humilhada por meio de uma série de atos, veiculados na internet e em jornais de grande circulação, que geraram um movimento no sentido de que fosse ´salva´ a ´cadela do Recreio´. Em contestação, a parte ré suscita preliminar de incompetência do juízo por necessidade de perícia; conexão e ilegitimidade passiva. No mérito esclarece que nunca participou de quaisquer atos no sentido de retirara cadela ´Shakira´ da residência da autora; que não praticou qualquer ilícito inexistindo danos a serem reparados. Afasto tal preliminar,pois a mera afirmativa não basta para indicar a real necessidade de prova pericial. Como se não bastasse, o mérito da demanda não é o estado de saúde da cadela, mas sim o ´enxovalhamento moral´, palavras da autora, a que foi submetida. Não há que se falar em conexão. Isto porque não estão presentes os requisitos previstos no art.. 103 do CPC. Rejeito a preliminar de ilegitimidade de parte suscitada pelo réu.Isto porque, pela teoria da asserção, na medida em que a autora alega ter sofrido danos decorrentes da conduta da ré, essa deve ser considerado parte legítima para a presente demanda. Qualquer consideração meritória acerca desses fatos passa a ser pertinente ao cerne da lide, devendo ser analisada mais à frente. Presentes as condições da ação e os pressupostos processuais, inexistindo quaisquer nulidades ou irregularidades que devam ser declaradas ou sanadas, bem como preliminares que pendam de apreciação, passo a analisar o mérito. A priori, importante destacar a inexistência de relação de consumo entre as partes. Deveras, a autora não se enquadra no conceito de consumidor, descrito no caput do artigo 2º, bem como a parte ré não coaduna com a exegese do caput do artigo 3º, ambos do CDC. Assim, não há relação de consumo entre as partes, devendo esta demanda ser analisada de acordo com as regras do Código Civil Brasileiro. Compulsando os autos verifico não existir qualquer referência aos ilícitos supostamente praticados pela parte ré. Em sua petição inicial a autora não narra quais condutas teriam sido praticadas pela ré. Pelo contrário. Narra condutas praticadas por três pessoas físicas, que, em tese, poderiam ser responsabilizadas. A autora pretende que a parte ré seja responsabilizada pelos atos de sua preposta Sra. Flávia. Ocorre que nem mesmo existem nos autos prova da suposta relação jurídica existente entre a Sra. Flávia e a SVB. Também não foi demonstrado que a Sra. Flavia estava efetivamente agindo no exercício de sua função ou em razão de sua suposta função nos quadros da ré. Não se nega a importância da internet nos dias de hoje, mas não é possível imputar a terceiro a responsabilidade por atos praticados por alguém que simplesmente se inscreveu em um site de relacionamentos com a indicação Flávia – SVB. Os fatos relatados nos autos não possuem relação nem mesmo com objeto social da ré. Desta forma, entendo que a parte autora não se desincumbiu do ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito, conforme determinar o art. 333,I do CPC. Posto isso, JULGO IMPROCEDENTES os pedidos formulados na inicial. Em conseqüência, extingo o processo com julgamento do mérito, com fulcro no artigo 269, I do Código de Processo Civil. Sem despesas processuais e honorários advocatícios, com fincas no artigo 55 da Lei 9.099/95. Anote-se o nome dos advogados da parte ré para fins de futuras publicações. Submeta-se o presente PROJETO de SENTENÇA ao Juízo para homologação pelo Exmo. Juiz de Direito, na forma do art. 40 da mesma Lei.
Rio de Janeiro, 09 de fevereiro de 2010.
JULIANA CURVACHO CAPELLA
Juíza Leiga

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Os quatro pós brancos

fevereiro 20, 2010 Deixe um comentário

Abaixo a matéria indicada pela nutricionista Priscila di Ciero sobre três (ainda tem o sal…!) pós brancos que estão relacionados com os principais problemas de saúde do mundo moderno.

Se um dia alguém resolver erigir um monumento em praça pública às boas intenções frustradas do pensamento científico, podia ser uma estátua monumental de um prato cheio de pó branco. Assim homenagearíamos de uma só vez três enganos cientificistas: a farinha de trigo refinada, o açúcar branco e a cocaína. Três pós acéticos e quase idênticos, três frutos do pensamento que dominou o último século e meio: o reducionismo científico. Três matadores de gente.

po_branco

Não é por acaso que os três são tão parecidos. Todos eles são o resultado de um processo de “refino” de uma planta – trigo, cana e coca. Refino! Soa quase como ironia usar essa palavra chique para definir um processo que, em termos mais precisos, deveria chamar-se “linchamento vegetal” ou algo assim. Basicamente se submete a planta a todos os tipos de maus-tratos imagináveis: esmagamento entre dois cilindros de aço, fogo, cortes de navalha, ataques com ácido. Até que tenha-se destruído ou separado toda a planta menos a sua “essência”. No caso do trigo e a da cana, o carboidrato puro, pura energia. No caso da coca, algo bem diferente, mas que parece igual. Não a energia que move as coisas do carboidrato, mas a sensação de energia ilimitada, injetada diretamente nas células do cérebro.

Começou-se a refinar trigo, cana e coca mais ou menos na mesma época, na segunda metade do século 19, com mais intensidade por volta de 1870. No livro “Em Defesa da Comida”, o jornalista Michael Pollan conta como a tal “cultura ocidental” adorou a novidade. Os cientistas ficaram em êxtase, porque acreditavam que o modo de compreender o universo é dividi-lo em pequenos pedacinhos e estudar um pedacinho de cada vez (esse é o tal reducionismo científico). Nada melhor para eles, então, do que estudar apenas o que importa nas plantas, e não aquele lixo inútil – fibras, minerais, vitaminas e outras sujeiras. Os capitalistas industriais também curtiram de montão. Um pó refinado é super lucrativo, muito fácil de produzir em quantidades imensas, praticamente não estraga, pode ser transportado a longuíssimas distâncias. A indústria de junk food floresceu e sua grana financiou as pesquisas dos cientistas, que, animadíssimos, queriam mais.

Sabe por que esses pós refinados não estragam? Porque praticamente não têm nutrientes. As bactérias e insetos não se interessam pelo que não tem nutriente.

Os três tem efeito parecido na gente. Eles nos jogam no céu com uma descarga de energia e, minutos depois, nos deixam despencar. Aí a gente quer mais. Como eles foram separados das partes mais duras das plantas – as fibras – nosso corpo os absorve como um ralo, de uma vez só. Seu efeito eletrificante manda sinais para o organismo inteiro, o metabolismo se acelera.  Aí o efeito vai embora de repente. E o corpo é pego no contrapé.

Cocaína, farinha e açúcar eram O Bem no final do século 19. Eram conquistas da engenhosidade humana. Eram a prova viva de que a ciência ainda iria conquistar tudo, de que o homem é maior do que a natureza, de que o progresso é inevitável e lindo. Cocaína era “o elixir da vida”. Nas palavras publicadas numa revista do século 19, “um substituto para a comida, para que as pessoas possam eventualmente passar um mês sem comer.” Farinha e açúcar davam margem a fantasias de ficção científica, como a pílula que dispensaria o humano do ato animal e inferior de comer.

O equívoco da cocaína ficou demonstrado mais cedo, já nas primeiras décadas do século 20. De medicamento patenteado pela Bayer, virou “droga”, proibida, enquanto exterminava uma população de viciados. A proibição amplificou seus males, transformando-a de algo que afeta alguns em algo que machuca o planeta inteiro, movendo a indústria do tráfico, que abastece quase todo o crime organizado e o terrorismo do globo.

Levaria muito tempo até que os outros dois comparsas fossem desmascarados. Até os anos 1990, farinha e açúcar ainda eram “O Bem”, enquanto “O Mal” era a gordura, o colesterol. Os médicos recomendavam que se substituisse gorduras por carboidratos e o mundo ocidental se entupiu de farinha e açúcar. Começou ali uma epidemia de diabetes tipo 2, causada pelas pancadas repentinas que farinhas e açúcar dão no nosso organismo. Começou também uma epidemia de obesidade. Sem falar que revelou-se que açúcar e farinha estão envolvidos no complô para expulsar frutas, folhas e legumes dos nossos pratos, o que está exterminando gente com câncer e doenças cardíacas. Como câncer e coração são as maiores causas de morte do mundo urbanizado, chega-se à constatação dolorosa: farinha e açúcar são na verdade muito mais letais do que cocaína. É que cocaína viciou poucos, mas açúcar e farinha viciaram quase todo mundo.

Agora os três pós brancos são “O Mal”. A humanidade está mobilizada para exterminá-los. Há até uma nova dieta vendendo toneladas de livros pela qual corta-se todos os carboidratos da dieta e come-se apenas gordura.

Em 1870, caímos na ilusão de que era possível “refinar” plantas até extrair delas o bem absoluto, apenas para nos convencermos décadas depois de que tínhamos criado o mal absoluto. Mas será que o problema não é essa mania humana de separar as coisas entre “O Bem” e “O Mal” em vez de entender que o mundo é mais complexo que isso e que há bem e mal em cada coisa? Trigo, cana e coca, se mastigados inteiros – integrais – são nutritivos e inofensivos e protegem contra doenças crônicas. Precisamos parar de tentar “refinar” a natureza e entender que ela é melhor integral.  

Por Denis Russo Burgierman

 

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Sea Shepherd X Baleeiros – impressões de um repórter

fevereiro 20, 2010 Deixe um comentário

Por Denis Russo Burgierman

Nesta época do ano, é inevitável para mim lembrar do reveillon de 2003, o mais incrível da minha vida, que eu passei no lugar mais remoto e selvagem do mundo, os mares da Antártica, a uma semana de viagem da cidade mais próxima. Eu estava num velho navio pesqueiro, sujo e enferrujado, cercado de icebergs esculturais, visitado todos os dias por pinguins, focas, orcas e baleias – várias espécies de baleias, inclusive uma das 10 000 baleias-azuis que sobraram nos oceanos do mundo. Vendo auroras austrais, mergulhando na água gelada, convivendo com gente incrível, cercado de beleza e paixão. Foi incrível, épico, lindo. E assustador.

A foto é do grande Ignacio Aronovich, fotógrafo que viajou comigo. Dê uma olhada no site dele e da Louise, mulher dele: é um dos melhores sites de fotografia que eu conheço.

A foto é do grande Ignacio Aronovich, fotógrafo que viajou comigo. Dê uma olhada no site dele e da Louise, mulher dele: é um dos melhores sites de fotografia que eu conheço.

Fui para a Antártica como repórter, a convite de uma organização eco-radical chamada Sea Shepherd. Um ano antes, eu tinha entrevistado o fundador da organização e capitão do navio deles, Paul Watson. Ele me contou que sempre sonhara em ir para a Antártica, um dos únicos lugares do mundo onde ainda se mata baleias em larga escala. Paul Watson e sua Sea Shepherd tinham no currículo o afundamento de 10 baleeiros, desde 1979, quando eles trombaram propositalmente com o baleeiro pirata Sierra na costa de Portugal. Durante a entrevista, eu tive certeza de que havia uma grande história aí, e fiquei no pé de Watson até ser convidado para a primeira campanha antártica da Sea Shepherd. Consegui.

Passamos seis semanas no mar. A campanha foi um fracasso. Não encontramos os baleeiros, que se moviam rápido demais para o nosso navio, o Farley Mowat, um calhambeque marinho construído em 1958 e comprado usado por algumas dezenas de milhares de dólares.

Semana passada, Watson e a Sea Shepherd apareceram nas notícias de novo – como aliás sempre acontece nesta época do ano, que é quando os japoneses caçam baleias. Mais uma vez, como acontece todos os anos desde 2003, eles foram para a Antártica incomodar os baleeiros. Só que, desta vez, em vez de pilotar uma lata velha, eles tinham três barcos, sendo que um deles era um ultra-moderno trimarã movido a diesel que vale 1,5 milhão de dólares e mais se parece o batmóvel – chamado Ady Gil, em homenagem ao milionário de Hollywood que doou a maior parte do dinheiro. Você deve ter visto as notícias. O Ady Gil trombou com um dos baleeiros japoneses e afundou. Desta vez os baleeiros ganharam.

[No vídeo, a imagem da esquerda foi feita por ambientalistas em outro barco. A da direita, que dá a sensação de que a culpa foi dos próprios ambientalistas, foi tomada pelos próprios baleeiros japoneses.]

Watson afunda baleeiros porque diz que eles agem ilegalmente. Realmente, há, desde 1987, um tratado internacional que proíbe a caça a baleias no mundo inteiro. Mas há uma exceção: é permitido matar baleias para pesquisa científica. E, uma vez mortas, é permitido vender a carne das baleias, para não desperdiçar. Os japoneses criaram seu “programa de pesquisas” em 1987, mesmo ano em que a moratória começou. Como é essa “pesquisa”? Mata-se o bicho, estuda-se seu ouvido e o conteúdo do estômago e intestino, empacota-se a carne e vende-se em peixarias. Trata-se de um estudo de seus “hábitos alimentares”. Para fazer isso, mata-se 900 baleias por ano.

Enfim, o tal “programa de pesquisa” não passa de um pretexto. E ninguém faz nada, porque a Antártica fica em águas internacionais e não existe polícia lá. Ninguém é responsável pelo planeta: os governos só têm jurisdição sobre seus próprios países.

Watson tem todos os defeitos que dizem que ele tem. Ele mente com alguma frequência, é meio arrogante, é difícil de lidar, não é nada diplomático, é marketeiro até a medula. Ele me odeia – ficou bravo com alguns trechos do livro que escrevi sobre a expedição. E ele arrisca: um sujeito que já afundou dez baleeiros não tem muito o que dizer quando finalmente é um barco dele que vai parar no fundo.

Mas tenho que admitir que, no fundo do coração, tenho uma baita admiração pela sua coragem sem limites. E uma baita saudades da Antártida, o último lugar do mundo que ainda não foi inteiramente transformado em “estoque” de algum produto.

No convés do Farley Mowat, há uma "parede de troféus": cada bandeira representa um baleeiro cuja carreira a Sea Shepherd encerrou. A foto é do grande Ignacio Aronovich.

Foto: No convés do Farley Mowat, há uma "parede de troféus": cada bandeira representa um baleeiro cuja carreira a Sea Shepherd encerrou.

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ARGUMENTAÇÃO: Mitos sobre Alimentação Vegana

fevereiro 20, 2010 Deixe um comentário

legumes

Sempre é útil falarmos dos mitos que pairam sobre a dieta vegetariana. O fato é que as dietas vegetariana ou vegana são possíveis e adequadas. Toda tentativa em provar que elas não o são começa pela desinformação, passa por uma postura defensiva e termina na manipulação das informações. Enquanto ainda temos que conviver com a desinformação por parte dos que contestam a dieta vegetariana, é importante mantermo-nos seguros e aptos para contestar e informar os que se mostram dispostos a isso. Quando se trata de defender o que está certo, a informação é a principal arma.

Sobre este assunto, reproduzo abaixo uma matéria da Revista dos Vegetarianos com o Dr. nutricionista George Guimarães.

MITOS:

Apesar de o foco da investigação científica acerca das dietas vegetarianas já ter mudado de carências nutricionais para prevenção de doenças há mais de 20 anos, o tema mais freqüente de debate com o público e até mesmo com os profissionais de saúde ainda é a adequação nutricional da dieta vegetariana.

Temos as respostas para quase todas as questões nutricionais que já foram levantadas. Mas a maioria dos “desafios” intelectuais que são propostos no dia-a-dia de um vegetariano não passa de um ledo engano. A melhor resposta provavelmente seria simplesmente dizer: “sua afirmação está correta, e daí?”. Isso porque, na maioria dos casos, esses questionamentos trazem afirmações verdadeiras sobre os alimentos, mas são seguidos por uma conclusão equivocada e sem relevância. Nos casos que apresentarei a seguir, a relevância inexiste.

A came contém mais ferro do que os vegetais.

É fato. E daí? Não precisamos da melhor fonte, precisamos apenas daquela que nos seja suficiente. É verdade que, em sua maioria, os vegetais contêm menos ferro do que a carne, mas ainda assim eles suprem a nossa necessidade pelo mineral. Se os defensores de uma dieta onívora fossem levar à risca esse pensamento de que apenas o melhor serve, eles defenderiam o consumo do fígado dos animais exclusivamente, haja vista que este contém mais ferro do que as outras carnes.

Mas o ferro-heme (encontrado nas carnes) é mais bem absorvido do que o ferro não-heme (que compõe a totalidade do ferro encontrado nos vegetais).

Sim, ele é mais bem absorvido. Uma pessoa com anemia se recuperará mais rapidamente com o ferro oriundo da carne do que com o ferro oriundo dos vegetais, mas isso não significa que a vegetariana não se recuperará. O que muda é a velocidade da recuperação, que no caso do ferro encontrado nos vegetais (não-heme) pode ser aumentada associando outros fatores à ingestão dos alimentos ricos em ferro, como a ingestão de alimentos ricos em vitamina C, por exemplo. No que diz respeito à manutenção do status de ferro, o ferro não-heme é suficiente para esse propósito, bastando escolher as boas fontes do mineral (leguminosas, oleaginosas, frutas secas, vegetais verde-escuros, melado-de-cana) e excluir da dieta os alimentos que atrapalham a sua absorção, como é o caso dos laticínios, que além de atrapalharem ainda se apresentam como péssimas fontes do nutriente em questão.

Os vegetais não contém todos os aminoácidos essenciais.

É raro encontrar um vegetal que contenha todos os aminoácidos essenciais, mas isso não tem importância para a nutrição do vegetariano. Ainda que um único vegetal não contenha todos os aminoácidos essenciais, a combinação de uma variedade de vegetais garante o fornecimento de todos eles. Se fôssemos seguir esse raciocínio, chegaríamos à conclusão de que a melhor carne para ser consumida é a carne humana, já que essa é a que mais se aproxima das nossas necessidades, pois tem tudo o que o organismo humano precisa. Mais uma vez, não precisamos do melhor, mas apenas do necessário. Apesar de não apresentarem o mais completo perfil de aminoácidos quando comparamos à carne, os vegetais fornecem, de maneira distribuída e equilibrada, todos os aminoácidos que o organismo humano necessita.

O corpo humano não é capaz de digerir a celulose ou as fibras vegetais.

Que bom! Mantendo-se intactas, elas podem cumprir o seu papel, que é o de dar volume às fezes e varrer o colesterol pra fora do intestino, entre outros. No entanto, algumas não se mantêm intactas, pois são fermentadas nos intestinos por bactérias. Isso gera a formação de substâncias muito importantes para a prevenção de algumas doenças. Se elas fossem digeridas como acontecem com alguns animais herbívoros que têm a capacidade de digerir a celulose, perderíamos essas possibilidades. O corpo humano foi desenhado para consumir muitas fibras, que somente os vegetais podem nos fornecer. Ele também foi desenhado para não digerí-las, o que tem efeito benéfico.

Os vegetais não fornecem o colágeno.

É verdade, não possuem. Mas isso não tem qualquer relevância para a saúde humana. Assim como os animais herbívoros, os animais humanos fabricam o seu próprio colágeno a partir das proteínas vegetais que consomem.

O leite de vaca é a melhor fonte de cálcio disponível.

Apesar de não ter sido criada para a alimentação humana, é fato que a secreção mamária dos animais mamíferos é uma excelente fonte de cálcio. E daí? Boas fontes vegetais também existem e até superam os laticínios em termos de biodisponibilidade (capacidade de ser absorvido). Os vegetais ricos em cálcio são os mesmos vegetais ricos em ferro, citados anteriormente.

A vitamina B12 não está presente na dieta vegana e isso é prova de que a dieta vegana não é natural à espécie humana.

É verdadeira a afirmação de que a dieta vegana é deficiente em vitamina B12, mas isso está longe de depor contra a naturalidade do veganismo à espécie humana. A vitamina B12 é produzida por bactérias, que já foram mais presentes na contaminação de nossos alimentos, o que mudou em tempos recentes com mudanças nos nossos hábitos de higiene. Portanto, não é a dieta vegana que não é natural à espécie humana, mas sim a espécie humana que não é mais natural ao seu ambiente. A solução para esse problema causado por hábitos modernos é uma solução igualmente moderna: a suplementação.

 

Fonte: Revista dos Vegetarianos
(ano 2 – número 20)

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VEGETARIANOS: E o Leite, pode?

fevereiro 20, 2010 Deixe um comentário

leite

Este é para aquelas pessoas que são vegetarianas e acreditam que consumir ovos, leite e seus derivados não representa nenhum problema. 

Sim, existem muitas pessoas que ainda pensam assim…

Recomendo a elas que dêem uma olhada no vídeo http://www.youtube.com/watch?v=6RNFFRGz1Qs e no texto do FILIPE PAIVA, abaixo:

“As imagens falam por si, apesar de ser um vídeo em inglês, com cenas que mostram a realidade das vacas leiteiras (neste caso, em Nova Iorque).

O pensador americano Gary Francione costuma dizer que “existe mais crueldade em um copo de leite do que em um bife” e a psicóloga Karla Souza Pinto acredita que as pessoas que dizem “eu sei, mas prefiro não pensar nisso” são acomodadas, têm resistência ao novo e apego ao paladar viciado na carne.

A cura? Lucidez filosófica e religiosa. A busca pela ética é algo intrínseco do homem que pensa e tem compaixão.

O filósofo Carlos Naconecy lembra um conceito importante: a “necessidade” tem prioridade sobre a “preferência”. Ou seja, um animal tem a “necessidade” de continuar vivo, mover-se, evitar o sofrimento, ter contato social etc. O homem tem a “necessidade” de alimentar-se, mas a dieta escolhida é uma questão de “preferência” individual. Portanto, o direito de satisfazer uma “preferência” do paladar é mais fraco que o direito à vida e ao não sofrimento.

Somos onívoros e isso pressupõe a liberdade de escolha do que iremos comer. Podemos usar nossa inteligência e capacidade de amar para controlar nossos impulsos egoístas e cruéis, deixando o selvagerismo definitivamente para trás.

Informem-se sobre os “leites” vegetais e bem mais saudáveis, como os extratos de grãos e castanhas. Se ainda é muito difícil abandonar alguns hábitos, ao menos procuremos diminuir a frequência deles.

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JEANS: Para Lavar É Só Botar No Freezer

fevereiro 15, 2010 Deixe um comentário

 

   Achei interessante esta matéria da IstoÉ, então depois do ctrlC/ctrlV, aí vai:

Nada de tanque ou eletrodoméstico: bastam 12 horas congelada e a calça jeans fica pronta para outra

 

SUSTENTÁVEL: Fabricante diz que técnica é ecológica: economiza água, sabão e energia

A urgência em economizar água fez brotar uma alternativa que deve movimentar o mercado da moda: o jeans que não é lavado nem precisa passar. A novidade foi apresentada em uma feira sobre sustentabilidade, em Berlim, no ano passado, e inspirou a empresária mineira Jandira Barone, da Tristar, que estava no evento alemão. De volta ao Brasil, Jandira criou o jeans que fica limpo apenas no processo de congelamento, no freezer caseiro. A peça será vendida junto com uma sacolinha com vedação, própria para temperaturas baixas. Doze horas dentro do freezer são suficientes para matar as bactérias e tirar o cheiro de uso, mas o ideal é deixar o dobro deste tempo. “Nossa preocupação é prioritariamente com a ecologia. Vai economizar água, sabão e energia para passar”, diz Jandira, lembrando que o freezer já fica ligado à geladeira mesmo. A empresária explica que as peças são orgânicas – algodão, fibras e tingimentos que não levam agrotóxicos em nenhuma das etapas – da matéria- prima à calça jeans pronta. Mas não poderia ser totalmente fashion se não apelasse para o que há de mais disputado nessa área: a exclusividade. “À medida que vai congelando e descongelando, o tecido amacia e a calça fica com o formato do corpo da pessoa”, defende Jandira. Da mesma forma, se algo respingar na peça, o resfriamento fará com que a mancha seja incorporada ao modelo, tornando-o mais pessoal ainda. “Os consumidores não compram calças puídas, detonadas, manchadas? O conceito é o mesmo, só que será um detalhe produzido pelo próprio usuário”, diz. Mas se o líquido derramado na roupa for, por exemplo, graxa ou gordura e a pessoa quiser lavar, não há nenhum problema em usar água e sabão. A diferença é que a lavagem muda um pouco o formato da peça, característica que o congelamento mantém. Calças e shorts jeans com embalagens para o freezer são as primeiras unidades que a Tristar vai lançar com sua própria marca. Há 35 anos no mercado, a fábrica, do Rio de Janeiro, abastece grifes como Animale, Espaço Fashion, Enjoy, Checklist, Ecletic e Botswana. A comercialização será feita a partir de abril, através de consultoras de vendas, do tipo das que vendem de porta em porta, e também em lojas multimarcas. Jandira ainda não definiu o preço, mas acredita que as lojas devem fixar algo em torno de R$ 300 para as calças, que são dupla face. Além de não precisar lavar, é só virar pelo avesso para usar a mesma roupa como se fosse outra. Isso é que é otimizar.

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O MODELO ANIMAL por Sérgio Greif

fevereiro 15, 2010 Deixe um comentário

 

Se um pesquisador propusesse testar um medicamento para idosos utilizando como modelo moças de vinte anos; ou testar os benefícios de determinada droga para minimizar os efeitos da menopausa utilizando como modelo homens, certamente haveria um questionamento quanto à cientificidade de sua metodologia.
Isso porque assume-se que moças não sejam modelos representativos da população de idosos e que rapazes não sejam o melhor modelo para o estudo de problemas pertinentes às mulheres. Se isso é lógico, e estamos tratando de uma mesma espécie, por que motivo aceitamos como científico que se teste drogas para idosos ou para mulheres em animais que sequer pertencem à mesma espécie?
Por que aceitar que a cura para a AIDS esteja no teste de medicamentos em animais que sequer desenvolvem essa doença? E mesmo que o fizessem, como dizer que a doença se comporta nesses animais da mesma forma que em humanos? Mesmo livros de bioterismo reconhecem que o modelo animal não é adequado.
Dados experimentais obtidos de uma espécie não podem ser extrapolados para outras espécies. Se queremos saber de que forma determinada espécie reage a determinado estímulo, a única forma de fazê-lo é observando populações dessaa espécie naturalmente recebendo esse estímulo ou induzi-lo em certa população.
Induzir o estímulo esbarra no problema da ética e da cientificidade. Primeira pergunta: será que é certo, será que é meu direito pegar indivíduos e induzir neles estímulos que naturalmente não estavam incidindo sobre eles? Segunda pergunta: será que é científico, se o organismo receber um estímulo induzido, de maneira diferente à forma como ele naturalmente se daria, será ele modelo representativo da condição real?
Ratos não são seres humanos em miniatura. Drogas aplicadas em ratos não nos dão indícios do que acontecerá quando seres humanos consumirem essas mesmas drogas. Há algumas semelhanças no funcionamento dos sistemas de ratos e homens, é claro, somos todos mamíferos, mas essas semelhanças são paralelos. Não se pode ignorar as diferenças, as muitas variáveis que tornam cada espécie única. Essas diferenças, por menores que pareçam, são tão significativas que por vezes produzem resultados antagônicos.
Testes realizados em ratos não servem tampouco para avaliar os efeitos de drogas em camundongos. Isso porque apesar de aparente semelhança, ambas as espécies possuem vias metabólicas bastante diferentes. Diferenças metabólicas não são difíceis de encontrar nem mesmo dentro de uma mesma espécie, admite-se que as drogas presentes no mercado são efetivas apenas para 30-50% da população humana.
Na prática o que acontece é que um rato pode receber uma dose de determinada substância e metabolizá-la de maneira que ela se biotransforme em um composto tóxico. A toxicidade mata o rato, mas no ser humano essa droga poderia ser inócua, quem sabe a resposta para uma doença severa. Por outro lado, o teste em ratos pode demonstrar a segurança de uma droga que no ser humano se demonstre tóxica.
Centenas de drogas testadas e aprovadas em animais foram colocadas no mercado para uso por seres humanos e precisaram ser recolhidas poucos meses após, por haverem sido identificados efeitos adversos à população. Se as pesquisas com animais realmente pudessem prever os efeitos de drogas a seres humanos, esses eventos não teriam ocorrido. Dessa forma, pode-se inferir que a pesquisa que utiliza animais como modelo não só não beneficia seres humanos, como também potencialmente os prejudica.
O modelo de saúde que defendemos é aquele que valoriza a vida humana e animal. Os interesses da indústria farmacêuticas e das instituições de pesquisa que lucram com a experimentação animal não nos dizem respeito. Buscamos por soluções reais para problemas reais.
Os maiores progressos em saúde coletiva se deram através de sucessivas mudanças no estilo de vida das populações. Há uma forte co-relação entre nossa saúde e o estilo de vida que levamos. Se nosso estilo de vida é dessa ou daquela forma, isso reflete em nossa saúde. Está claro que as doenças sejam reflexo, em grande parte, de nosso estilo de vida e que a cura deva estar em correções nesses hábitos.

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Sérgio Greif é biólogo em São Paulo/SP, mestre em Alimentos e Nutrição, autor dos livro "A Verdadeira Face da Experimentação Animal: A sua saúde em perigo" e "Alternativas ao Uso de Animais Vivos na Educação: pela ciência responsável".

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